Europa nega abrigo, mas comemora gols dos filhos de imigrantes

    Entre as equipes do continente ainda no Mundial, todas têm em seus elencos                       grande número de jogadores de ascendência não europeia

“Quando as coisas vão bem, eles me chamam de atacante belga. Quando não correm bem, sou o atacante belga descendente de congoleses”, conta Romelu Lukaku, da seleção da Bélgica

por Carol Castro, da Carta Capital

A Bélgica deve muito a seus imigrantes a campanha do time na Copa do Mundo. Só o atacante Romelu Lukaku, um dos cinco jogadores da equipe com ascendência congolesa, colocou quatro gols na conta das vitórias belgas – e é o artilheiro da seleção até aqui. Maourane Fellaini marcou o gol de empate contra o Japão e Nacer Chadli, nos acréscimos, garantiu a passagem da seleção às quartas de final. Os dois são filhos de marroquinos.

Dos 14 gols marcados até agora, 10 vieram de jogadores com origens estrangeiras (Marrocos, Congo, Mali, Martinica). Se há 20 ou 30 anos seus pais tivessem sido barrados e impedidos de permanecer no país, a Bélgica provavelmente nem seria o adversário do Brasil nas quartas de final. Sem esses jogadores, a equipe teria garantido uma vitória magra contra o Panamá. E mais nada.

Charles Michel, primeiro ministro da Bélgica, conhece esses nomes todos. Antes do jogo entre seu país e a Inglaterra, ele presenteou a colega Theresa May, primeira ministra do Reino Unido, com uma camiseta da equipe – curiosamente, era a 10, do meia Eden Hazard, filho de pais belgas. Quem garantiu a vitória foi Adnan Januzaj, cujos pais fugiram de uma Guerra civil no Kosovo, antes do nascimento do filho.

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