É preciso olhar para o passado e constatar o que muitos parecem já ter esquecido diante da máquina de propaganda política. O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, sempre demonstrou, com o mesmo desplante que ostenta nas redes sociais, uma notável capacidade de apresentar ações enganosas disfarçadas de grande gestão. O início deste trabalho de resgate da memória começa por um de seus maiores símbolos de marketing vazio: o projeto “Rapidão São Luís”.
Lançado com grande alarde em 5 de março de 2021, logo nos primeiros meses de seu governo, o Rapidão foi vendido como a “solução inteligente” definitiva para os problemas crônicos do transporte coletivo. O material oficial e as entrevistas da época esbanjavam uma desfaçatez admirável. Com a cara de sempre, Braide publicou vídeos dentro dos ônibus articulados, prometendo ganhos de tempo de 15 a 45 minutos e viagens expressas de terminal a terminal. O bordão “Quem tem pressa, vai de Rapidão” inundou as campanhas, e a iniciativa tornou-se a grande “estrela” do vídeo de celebração dos 100 dias de gestão.
Com uma performance de gestor supereficiente na TV, o ex-prefeito chegou a virar motivo de chacota: “É um pássaro? É um avião? Não, é Braide, o Rapidão!”. Contudo, o tempo — em menos de três meses — mostrou que a promessa não passava de um castelo de areia. Longe da utopia vendida nas redes sociais, a dura realidade do usuário mostrava os ônibus do Rapidão circulando superlotados, causando aglomerações e descumprindo os protocolos sanitários vigentes na época.
O mais interessante dessa história é o tamanho do domínio da mídia que o ex-prefeito possuía. A propaganda do programa foi intensa, mas estrategicamente curta e focada apenas no início do mandato. Aos poucos, sem nenhum comunicado oficial de encerramento, o serviço começou a perder força e foi sendo silenciosamente diluído na frota cotidiana da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT).
Apesar de todo o bombardeio publicitário inicial pago com recursos públicos, nada foi registrado pela grande mídia sobre o fiasco da operação. O Rapidão foi tão rápido que passou e ninguém viu. Deixou de ser a pauta prioritária e evaporou-se no ar.
Lembrar desses fatos não é ditar o voto de ninguém, mas garantir que o eleitor saiba exatamente em quem está votando. Constatar essas falhas nos obriga a refletir sobre do que o ex-prefeito é capaz: criar narrativas artificiais de curto prazo que, assim que os holofotes da propaganda se voltam para outras pautas, revelam-se meras peças de ficção administrativa.
