Esmenia, omissão como método, a herança excludente de Braide e o abandono da tradição e da população da Liberdade

Sem fiscalização avenidas viram mar de motocicletas e esquinas e muros mictório a céu aberto durante ensaio da Maioba

O período junino é, indiscutivelmente, a época em que confirmamos que a ilha de São Luís ainda pulsa, resistindo pelas beiradas. No entanto, o que deveria ser motivo de orgulho tem se transformado em um verdadeiro pesadelo logístico e sanitário para a população, graças à omissão deliberada da prefeita em período probatório Esmenia Miranda. O cidadão ludovicense paga hoje o preço altíssimo de uma herança administrativa que transformou o cinismo em método e ignorou o dever público. Sob uma cadeira sem comando, São Luís assiste à continuidade de um modelo excludente de gestão herdado de Eduardo Braide. É uma política que escolhe onde o serviço público deve atuar, penalizando as tradições populares e o bem-estar dos moradores em nome de conveniências políticas.

O sacudir do maracá escancara essa realidade. Enquanto a Prefeitura concentra todo o planejamento viário, sanitário e de segurança exclusivamente nos arraiais promovidos pelo próprio município, as festas apoiadas pelo Governo do Estado e as celebrações independentes nos terreiros são jogadas à própria sorte.

A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e a Blitz Urbana, órgãos que deveriam atuar para a cidade como um todo, operam como ferramentas de retaliação silenciosa. O poder público ignora que o ordenamento do trânsito, a mobilidade urbana e o saneamento básico não são concessões ou patrocínios, mas sim serviços essenciais já pagos pela população através de impostos como o IPTU.

Deixar o barco correr em uma capital com a complexidade de São Luís não é apenas inércia; é uma escolha deliberada que fere a Lei Orgânica do Município. A gestão Esmênia, ao manter o modus operandi da era Braide, prova que a máquina pública continua sendo usada para garantir o brilho apenas nos palcos onde a prefeitura quer aplausos, enquanto o asfalto, o morador e a cultura popular autêntica sofrem com a desordem.

 

O Caos na Liberdade: O Exemplo do Descaso

O retrato desse abandono pôde ser visto claramente neste último sábado (30), durante o tradicional ensaio do Boi da Maioba no bairro da Liberdade. Um evento histórico que arrasta milhares de pessoas tomou conta do entorno da Feira do bairro, impactando diretamente o fluxo da Avenida Quarto Centenário e das vias próximas à Praça Mário Andreazza. O resultado da ausência da SMTT? Uma verdadeira zorra no trânsito. Ruas e avenidas ficaram sem qualquer ordenamento, com veículos trafegando na contramão e vias completamente bloqueadas. Não havia um único guarda de trânsito para organizar a confusão\

A Burocracia Como Escudo para a Omissão

É inaceitável  que todo o poder público Ministério Público, Governo (Costumes) e Município (responsabilidade direta) exijam ofícios, protocolos e uma via-crúcis administrativa para ordenar um evento que faz parte da história da nossa cidade, e depois não cumprem que justifica a ordem de pagamento específica a cada órgão. A origem distinta, não os distingue. Tampouco os situa em linha de comando de acordo com o raio de ação. O funcionalismo  federal, estadual e municipal são iguais no dever. No caso da prefeitura de São Luís é instalar balões de propaganda na avenida do evento, apenas por propagar e não como marca de mérito.

O ensaio do Boi da Maioba no bairro da Liberdade não é uma festa clandestina ou um acontecimento surpresa; é um marco previsível do nosso calendário cultural. Usar a ausência de burocracia formal ou transferir responsabilidades como desculpa para cruzar os braços, obrigando a comunidade a implorar por serviços básicos que já foram pagos via IPTU, beira o cinismo administrativo. Ordenar o tráfego e impedir que as portas dos moradores virem mictórios não é um favor concedido mediante carimbo, é uma obrigação proativa do município em respeito ao cidadão.

Não é Favor, é Dever Legal

Vale lembrar à atual gestão que o planejamento urbano e a proteção da nossa cultura não são favores ou moedas de troca política: são obrigações pautadas na Lei Orgânica do Município de São Luís. A legislação municipal é cristalina ao determinar que é dever inalienável do Poder Público garantir a mobilidade urbana, a segurança no trânsito e o pleno acesso e fomento às manifestações da cultura popular.

Independentemente de ofícios ou questões partidárias, estamos falando de eventos tradicionais de proporções gigantescas. Quando a SMTT se omite de ordenar o trânsito em um polo gerador de tráfego temporário como o ensaio de um mega batalhão, a Prefeitura está, na prática, descumprindo a Lei Orgânica e o Estatuto da Mobilidade da capital. A secretaria existe para servir à população e garantir o direito de ir e vir com segurança, e não para atuar de forma seletiva.

Blitz Urbana: Cobrança de Taxas e Omissão Sanitária

O desrespeito ao cidadão e à lei não para no trânsito. Outros órgãos municipais, como a Blitz Urbana, mostram-se extremamente eficientes na hora de cobrar suas taxas e licenças de atuação. Contudo, negam o serviço essencial de ordenamento do espaço e fiscalização.

Falta infraestrutura básica para evitar que as vias se transformem em banheiros a céu aberto. Sem orientação ou banheiros químicos suficientes, a população urina nas esquinas, nos postes, e nas laterais e fundos dos carros. Quem mora no entorno desses eventos acorda no domingo com um cheiro podre e insuportável de urina na porta de casa. São cidadãos que pagam IPTU e têm o direito à dignidade e à saúde pública garantidos por lei.

A População Exige Respeito

A cultura do Maranhão, a força das nossas matracas e o bem-estar da população são maiores do que qualquer disputa política. A Câmara Municipal, o Ministério Público, a sociedade civil organizada tem a obrigação de exigir que a Prefeitura de São Luís assuma suas responsabilidades constitucionais e orgânicas. Antes que esteja tudo dominado.

Se já não estão?

O silêncio dirá!

 

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