As alegorias de Sérgio Moro para enfeitar o vazio de suas ações em defesa dos indígenas ameaçados no MA

 

Sérgio Moro sem a brilhantina das lentes globais/ Foto: Marques

Depois das declarações pastéis de vento publicadas no twitter no último sábado, seis horas depois do atentado que matou duas lideranças indigenista e deixou outra gravemente ferida no Maranhão, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, produziu mais uma alegoria nesta segunda-feira para enfeitar o vazio de suas ações.

Se no final da semana passada recheou sua indiferença com um lamento protocolar e o anúncio das ações da Funai e da Polícia Federal, como se fossem determinações suas e não obrigações funcionais e regulares das duas instituições; no início desta, autorizou o envio da Força Nacional ao Maranhão, excluindo a área indígena mais atacada por madeireiros na região.

A revelação foi feita pelo jornal Folha de São Paulo (Leia Aqui) ao analisar portaria do ministro,  que deve ser publicada no Diário Oficial nesta terça-feira.

O matutino paulista observou que a autorização do ministro limita as ações da tropa a proteger os 4.500 indígenas da reserva Cana Brava, nas proximidades da BR-226 onde os dois guajajaras foram abatidos a bala no sábado passado, depois de menos de 40 dias do assassinato de outra liderança indígena na reserva Arariboia. 

Reserva mais atacada por madeireiros e invasores de terras e a 200 KM da área protegida por Moro, a Araiboia  enfrenta um clima de tensão sem precedentes em sua história, acentuado pelo descaso do Governo Federal em atender as constantes cobranças por mais segurança.

Embora a exclusão dessa terra em chamas possa suscitar um interesse escuso do governo Bolsonaro em incentivar o desmonte das reservas indígenas no Pais, a presença da Força Nacional no máximo evitaria novas mortes e amenizaria o clima de confronto por um certo tempo na região.

Proteger os indígenas e investigar os assassinatos de suas lideranças, sem que essas ações façam parte de uma estratégia de proteção efetiva dos territórios indígenas, não significa combater as ações criminosas de madeireiros, invasores, garimpeiros e traficantes contra a floresta amazônica.

Seria mais um jogo de sombras, que iluminado pela grande mídia criaria uma ilusão idêntica à da Lava Jato: a capacidade de agir em defesa dos interesses públicos do Super Moro.

E assim, aos poucos, sem que se perceba, o bicho vai comendo…

Aí, quando morder a tua perna, já foi..já era…já é tarde!   

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