Guedes revela seu desprezo por Bolsonaro: ele não tem voto no Congresso

247 – Em uma declaração sem precedentes para um ministro de Estado em relação ao presidente que o nomeou, Paulo Guedes demonstrou todo seu desprezo por Jair Bolsonaro, numa entrevista para o jornal O Estado de S.Paulo. Diante da pergunta dos jornalista sobre como seria viável a aprovação da idade mínima de 62 anos para aposentadoria das mulheres proposta por ele, depois de Bolsonaro afirmar que aceitaria a redução para 60, o ministro da Economia retrucou: “É ele quem vota ou os 500 deputados?”.

A afronta talvez guarde alguma semelhança com declarações de ministros de Estado que estavam em vias de ser demitidos ou que pretendiam deixar os governos de presidentes, no passado. Mas, até o domingo (10), data de publicação da entrevista, o ministro da Economia parecia firme no cargo. A situação mudou nesta quinta, quando ele declarou que pode pedir demissão se o Congresso não aprovar o desmonte da Previdência Social desejado por ele: “(…) eu vou dizer assim: ‘Eu vou sair daqui rápido, porque esse pessoal não é confiável. Não ajudam nem os filhos; então, o que será que vão fazer comigo?'” (aqui).

A manifestação de desprezo a Bolsonaro aconteceu numa entrevista aos jornalista Adriana Fernandes, José Fucs e Renata Agostini (aqui). Mas não foi apenas isso. Guedes apresentou-se como um megalomaníaco, afirmando que os eleitores teriam sufragado Bolsonaro e ele nas urnas: “O presidente ganhou a eleição dizendo ‘Brasil acima de tudo, Deus acima de todos’ e o Paulo Guedes dizendo que vai privatizar. Foi essa agenda que ganhou a eleição”.

A entrevista foi realizada antes que saísse a público a pesquisa realizada pela consultoria Atlas Político segundo a qual, dos 308 votos necessários para aprovar o desmonte da Previdência Social, Paulo Guedes tem menos de 100 -95 afirma a pesquisa (aqui). Aparentemente ela foi o estopim para Guedes ameaçar demitir-se. Mas, antes disso, no fim de semana, ficou claro que ele considerava ter sido eleito ao lado de Bolsonaro e desprezar o ocupante da cadeira presidencial que o nomeou ministro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O Mágico de Oz da Ilha: neve, luz e o ilusionismo de Braide para infantilizar o cidadão

O novo eixo do poder: Eliziane Gama e a refundação da força feminina no Maranhão

O Prefeito Rei: Eduardo Braide e a Ressurreição do “Estado sou Eu”

O Xadrez do Poder no Maranhão: A Força da Caneta de Brandão e o Dilema de 2026

Mais que Azulejos: Por que o Palacete da Rua Formosa deve ser a Casa da Imprensa Maranhense

A Ágora, as redes sociais, as Big Techs e o estelionato da profundidade

"Quando o mal triunfa o bem se esconde; quando o bem aparece, o mal fica de tocaia"

Wisława Szymborska