
Eduardo Braide tornou-se o grande especialista em vender fumaça nesta eleição no Maranhão. Suas entrevistas no rádio e na televisão, sua propaganda eleitoral e seus discursos na convenção partidária possuem exatamente o mesmo padrão. Trata-se de um método muito bem ensaiado para falar bastante, com tom solene e postura de bom gestor, sem responder rigorosamente nada do que é perguntado.
Essa técnica de usar palavras bonitas para convencer sem compromisso com os fatos ou com a planilha de custos vem de longe. É a velha arte da embalagem política, em que o laço de fita precisa ser bastante reluzente para o eleitor não perceber que a caixa por dentro está completamente vazia. Ao examinar o conjunto de suas falas, a estratégia de enrolação de Braide se desenrola em uma narrativa bem articulada.
A contradição mais gritante começa logo na justificativa para faltar aos debates. Quando cobrado por não comparecer ao confronto da Band ou à sabatina da Rádio Mirante, Braide alega que deixou a prefeitura no fim de março e precisa percorrer os 217 municípios de carro, usando a suposta falta de tempo como escudo. No entanto, essa desculpa desmorona quando se nota que o candidato encontra tempo de sobra na agenda para sentar confortavelmente em estúdios da própria capital e conceder longas entrevistas individuais. Ou seja, para ser sabatinado sozinho e sem o calor do confronto direto na imprensa de São Luís, a agenda milagrosamente se abre. Já para enfrentar os concorrentes ao vivo e responder a perguntas incômodas olho no olho, a viagem pelo interior vira a desculpa perfeita.
Em seguida surge a mágica do imposto sem conta de somar. Nas sabatinas e nos programas da TV, Braide repete como mantra que o Maranhão cobra o maior ICMS do Brasil, atingindo 23%, e promete que seu primeiro ato como governador será cortar a alíquota em uma canetada. A historinha vendida é linda, prometendo que o imposto cai, o produto barateia na prateleira, o comércio vende mais e todos os demitidos são recontratados. Mas e os bilhões de reais que vão sumir da arrecadação e que sustentam postos de saúde, escolas e policiais nas cidades do interior? A resposta para essa conta milionária resume-se a frases feitas sobre choque de gestão e corte de aluguel de helicóptero. É o milagre econômico de 30 segundos que não para em pé em nenhuma planilha fiscal de verdade.
A encenação fica ainda mais dura quando surgem as denúncias sérias na saúde. Diante de cobranças sobre falhas de atendimento e mortes no Hospital da Criança, a tática de Braide é desqualificar a cobrança em vez de dar explicações técnicas. O candidato rotulou manifestações de mães e famílias como armação paga, alegando que protestantes receberam R$ 50 para fazer barulho. Em seguida, joga um número gigante na mesa e diz que o hospital já salvou mais de 250 mil crianças, buscando abafar a apuração de casos individuais e carimbar a dor alheia como ataque da velha política.
Para fechar o espetáculo, entra em cena o teatro do gestor que não faz política. Tanto na convenção quanto nos programas de rádio, Braide recorre ao clichê moral de que faz gestão ao invés de fazer política e repete que quem o elege é o povo. Trata-se de um enredo ingênuo, pois nenhum governador administra um estado isolado do mundo. Enquanto prega repulsa à política diante das câmeras, o candidato constrói alianças de bastidor com nomes tradicionais dessa mesma política. O rótulo de técnico neutro serve apenas como blindagem conveniente, de modo que se o legislativo vota contra ele, a culpa é dos outros, e se não há alianças, a culpa é da perseguição.
Analisar o discurso público é um exercício necessário de cidadania. Nomes bonitos e bordões tecnológicos como Muralha Digital não contratam policiais para as delegacias do interior, da mesma forma que promessas de economizar no gabinete não pagam o remédio do posto de saúde nem compram o bujão de gás que acabou na sua casa.
Eduardo Braide fala muito, faz drama diante das câmeras, mas não detalha de onde vem o dinheiro, qual é a meta e quando a mudança acontece de verdade. O debate público e o futuro do estado exigem mais do que o espetáculo das respostas vazias, pois a administração do Maranhão não se faz com retórica, mas com dados, planejamento e transparência fiscal.


















