A Ilusão da “Falsa Cara Nova” e o Negócio das Duas Vagas ao Senado no Maranhão

Eleger para o Senado uma figura do extremismo conservador como Lahesio Bonfim (Novo) sob a maquiagem de "falsa cara nova" é uma das ironias mais perigosas da política maranhense. O ex-prefeito de São Pedro dos Crentes gosta de vender a ilusão de uma gestão despretensiosa, mas encarna com fidelidade o projeto da extrema-direita e dos grandes grupos do agronegócio

A política maranhense tem a incrível capacidade de fantasiar velhos conhecidos com figurinos reluzentes de conveniência. Os levantamentos estaduais e nacionais — como a Quaest e o Real Time Big Data —, somados ao acompanhamento de institutos locais (a exemplo de Escutec, Econométrica e Inop), desenham o panorama eleitoral: Eduardo Braide (PSD) aparece na liderança com margem de 44% a 45% das intenções de voto para o Governo do Estado, seguido por Orleans Brandão (MDB) na faixa dos 25% a 32%, Felipe Camarão (PT) com 6% a 11% e Roberto Rocha (PRTB) com 3% a 5%. A antiga base governista chega fracionada à disputa, oferecendo ao presidente Lula dois palanques concorrentes no estado. Enquanto isso, a liderança nas pesquisas aposta na confortável postura de “neutralidade”, argumentando que o Maranhão precisa dialogar com quem quer que vença o pleito nacional. Contudo, por trás dessa conveniência tática, da disputa de amostragem dos institutos e da pulverização das forças populares, esconde-se o verdadeiro prêmio da eleição: as duas cadeiras em disputa para o Senado Federal.

É nesse balcão de negócios que se tenta emplacar a versão estadual do milagre da renovação. Eleger para o Senado uma figura do extremismo conservador como Lahesio Bonfim (Novo) sob a maquiagem de “falsa cara nova” é uma das ironias mais perigosas da política maranhense. O ex-prefeito de São Pedro dos Crentes gosta de vender a ilusão de uma gestão despretensiosa, mas encarna com fidelidade o projeto da extrema-direita e dos grandes grupos do agronegócio. Os números das urnas nas eleições de 2022 e o monitoramento contínuo das sondagens eleitorais expõem essa realidade: quando alcançou 24,87% dos votos para o Governo do Estado e 27,98% na capital, sua votação não brotou do sentimento popular das periferias, mas sim da elite econômica da área nobre de São Luís e dos polos da monocultura exportadora no Sul e Oeste do estado, em cidades como Balsas e Imperatriz. É a perfeita contradição: um discurso de “novidade de fachada” que serve para blindar isenções fiscais e privilégios de quem já é milionário, enquanto empurra a população que depende da escola e da saúde pública para o abismo do arrocho social.

Nas pesquisas para o Senado — onde tanto institutos nacionais quanto institutos locais como Escutec, Econométrica e Inop apontam um cenário de forte acirramento tanto na capital quanto nos municípios do interior —, a corrida pelas duas vagas registra um empate técnico quíntuplo no primeiro pelotão entre Roseana Sarney (MDB) 18, André Fufuca (PP)15, Lahesio Bonfim (Novo),15 .Weverton Rocha (PDT),15 e Eliziane Gama (PT)14, A chapa majoritária encabeçada pela liderança nas pesquisas abriga candidaturas ao Senado de polos opostos. Sob o pretexto do pragmatismo eleitoral, abre-se espaço para que o extremismo conquiste uma das posições mais estratégicas do Congresso Nacional, a despeito de 43% dos eleitores maranhenses afirmarem que o apadrinhamento da extrema-direita reduz a chance de voto — contra 21% no caso de Lula —, em um estado onde 54% dos entrevistados declaram preferir um governador aliado ao presidente petista, 25% buscam um candidato independente e apenas 16% preferem um aliado do bolsonarismo.

Enviar esse perfil ao Senado significa entregar a chave do orçamento federal e a deliberação sobre leis trabalhistas e sociais a quem trata o estrangulamento da agricultura familiar e a destruição do extrativismo tradicional — como os babaçuais e a produção local — como mero custo do “progresso”. A grande monocultura de exportação recolhe incentivos estatais e gera um retorno irrisório em empregos e arrecadação para o estado que abriga parcelas altamente vulneráveis da população. A verdadeira ironia da política local será ver o eleitor do Maranhão — que em 2022 deu a vitória a Lula em 214 dos 217 municípios — custear, com o sucateamento dos seus próprios serviços públicos e a perda de direitos sociais, a representação de um grupo que trabalha abertamente contra o interesse do povo

O Teto do Recall, a Desconexão do Planalto e a Nova Geografia do Voto

. Roseana Sarney: A Falácia do “Recall” e o Eleitorado Sem Memória do Sarneysmo

A presença de Roseana Sarney (MDB) na liderança limítrofe com 18% frequentemente é atribuída pela imprensa tradicional à força do seu “recall” político. Contudo, a análise histórica e demográfica desmonta essa tese. Roseana renuncia ao governo do Estado em 10 de dezembro de 2014, alegando razões de saúde. Em 2022, retornou à disputa eleitoral sendo eleita deputada federal com 85.824 votos — um desempenho expressivo, porém significativamente inferior às votações estrondosas e hegemonias que acumulou no passado. Durante seus quatro anos na Câmara dos Deputados (2023–2026), manteve uma atuação marcada pela omissão e pelo apagamento público: esteve ausente dos debates cruciais da história recente do país (como a reação institucional aos atos golpistas de 8 de janeiro) e limitou-se a intervenções pontuais e discursos lidos — como a homenagem aos 200 anos de Gonçalves Dias. Logo ela que, em mandatos anteriores no Senado e no Palácio dos Leões, foi uma das figuras mais articuladas e incisivas da política nacional. Seu reaparecimento na cena pública deu-se resgatando a imagem pessoal e a dignidade com que enfrentou o tratamento de câncer

  • O Intervalo de Tempo: Entre a saída de Roseana do governo (dezembro de 2014) e a eleição de 2026, passaram-se 12 anos.
  • O Impacto Geracional: Em um colégio eleitoral de 5,18 milhões de eleitores aptos no Maranhão, o contingente de jovens entre 16 e 28 anos soma aproximadamente 1,35 milhão de eleitores (cerca de 26% a 28% do eleitorado total).
  • A Ausência de Memória Política: Esse segmento populacional tinha, em média, entre 4 e 16 anos quando Roseana deixou o governo. Ou seja: mais de um quarto do eleitorado maranhense atual não possui qualquer memória afetiva ou vivência política direta sobre as gestões do sarneysmo.

Se a lembrança dos mandatos passados fosse suficiente para liquidar a fatura eleitoral, Roseana não estaria empacada em 18%, no limite da margem de erro. O empate em patamar reduzido evidencia que o recall oligárquico atingiu o seu teto tático, colidindo frontalmente com uma nova massa votante desvinculada do passado.

Eliziane Gama: O Brilho em Brasília e o Salto Alto na Ilha

Com 14% das intenções de voto, Eliziane Gama (PT) vive um dilema oposto. A senadora construiu um mandato de projeção nacional inquestionável — destacando-se como relatora da CPMI do 8 de Janeiro e voz ativa na defesa dos direitos humanos e das pautas republicanas no Distrito Federal.

No entanto, o reconhecimento em Brasília não se traduziu em votos na ponta. Ao frequentar o topo do poder no Planalto, Eliziane distanciou-se da base eleitoral maranhense. Faltou humildade no contato direto, presença pé no chão nas periferias e uma estratégia de comunicação eficiente capaz de traduzir a relevância do seu trabalho técnico para a vida diária do trabalhador do interior. O resultado é um isolamento tático: grande parte do eleitorado desconhece o alcance de suas ações no Senado, enquanto uma parcela expressiva nutre antipatia por aquilo que interpreta como vaidade ou soberba política.

Ficha Técnica e Registros das Pesquisas Eleitorais (Exigência da Lei nº 9.504/1997 e Resolução TSE nº 23.600/2019)

Para cumprimento integral das obrigações legais relativas à divulgação de pesquisas eleitorais de âmbito nacional, estadual e municipal:

  1. Real Time Big Data:
    1. Registro no TSE/TRE-MA: MA-02569/2026
    1. Período de Campo: 5 a 9 de setembro de 2026
    1. Amostra: 1.600 entrevistados
    1. Margem de Erro / Confiança: 2 pontos percentuais; 95% de nível de confiança.
  2. Quaest Pesquisa e Consultoria:
    1. Registro no TSE/TRE-MA: MA-02558/2026
    1. Data de Divulgação: 24 de agosto de 2026
    1. Amostra: 1.200 entrevistados no Maranhão
    1. Margem de Erro / Confiança: 3 pontos percentuais; 95% de nível de confiança.
  3. Instituto Escutec (Escutec Pesquisas de Mercado e Opinião):
    1. Registro no TRE-MA / TSE: MA-03124/2026
    1. Amostra / Período de Campo: Levantamento com 1.400 entrevistas domiciliares nas regionais do Maranhão
    1. Margem de Erro / Confiança: 2,6 pontos percentuais; 95% de nível de confiança.
  4. Instituto Econométrica:
    1. Registro no TRE-MA / TSE: MA-01892/2026
    1. Amostra / Período de Campo: Levantamento amostral com 1.350 entrevistados na capital e polos do interior
    1. Margem de Erro / Confiança: 2,7 pontos percentuais; 95% de nível de confiança.
  5. Inop (Instituto Inop de Pesquisa):
    1. Registro no TRE-MA / TSE: MA-02741/2026
    1. Amostra / Período de Campo: Pesquisa quantitativa presencial com 1.250 eleitores no estado
    1. Margem de Erro / Confiança: 2,8 pontos percentuais; 95% de nível de confiança.

Universo Geral de Eleitores: 5,18 milhões de eleitores aptos a votar no estado do Maranhão

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