Arquivar processo contra Aécio é ‘descompasso’ entre políticos e sociedade, diz presidente da OAB

Os senadores Pedro Chaves (PSC-MS), João Alberto Souza (PMDB-MA) e Roberto Rocha (PSB-MA) defenderam o arquivamento da representação contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

   

Do blog do Fausto Macedo (Estado de São Paulo)

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, lamentou nesta quinta-feira, 6, a decisão do Conselho de Ética do Senado de arquivar o pedido de cassação de Aécio Neves (PSDB-MG). Por 11 votos a quatro, o tucano se livrou da representação por quebra de decoro parlamentar.

Com esta decisão, Aécio não será sequer investigado na Casa pelas gravações entre ele e o dono da JBS, Josley Batista. O pedido de cassação havia sido feito pela Rede e pelo PSOL contra Aécio, em junho.

O presidente do Conselho, João Alberto Souza (PMDB-MA), na ocasião, decidiu monocraticamente arquivar a representação, que considerou “improcedente”. Randolfe, apoiado por cinco senadores que integram o Conselho, entrou com um recurso para que o plenário reavaliasse a questão. Nesta quinta-feira, entretanto, apenas quatro parlamentares votaram pela admissibilidade da denúncia.

Para Lamachia, a decisão ‘é só mais um episódio que demonstra o descompasso entre a classe política e os anseios da sociedade’.

“O presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto, já havia arquivado sumariamente o caso. Agora, o colegiado ratifica a decisão, reforçando as dúvidas e as especulações sobre eventuais acordos que possam estar sendo feitos nas sombras”, afirmou.

“A sociedade exige o esclarecimento dos fatos e o Senado está abrindo mão de dar sua contribuição para que, inclusive, o senador possa exercer seu direito de defesa. Lamento a decisão do Conselho de Ética do Senado, que retira da sociedade e do próprio senador as possibilidades de esclarecer os fatos para opinião pública.”

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