Eduardo Braide renunciou à Prefeitura de São Luís para buscar o Governo do Estado, mas o que ele deixa para trás é um modelo de gestão que nos transporta para séculos atrás. Ao observar suas redes sociais e suas raras aparições públicas, nota-se uma ausência gritante: o coletivo. Braide é o mestre da encenação solitária. Ele inaugura, ele visita, ele aponta para o horizonte. Onde estão os secretários de sua pasta? Onde estão os engenheiros que desenharam as intervenções? Onde está o corpo técnico que sustenta a máquina municipal? No “Reino de Braide”, a glória não é compartilhada; ela é centralizada em uma única figura.
Este estilo nos remete diretamente ao absolutismo francês de Luís XIV, o lendário Rei Sol. Foi ele quem sintetizou o poder absoluto na frase: “L’État c’est moi” (O Estado sou eu). Assim como o monarca francês transformou Versalhes em um palco para sua própria divinização, o atual pré-candidato ao governo transforma a gestão pública em um cenário para o seu culto à personalidade. A mensagem subliminar é perversa: o asfalto, a lâmpada de LED ou a reforma da praça não são frutos de um plano de governo ou de impostos pagos, mas sim “milagres” operados pela vontade soberana do líder solitário.

Essa personificação do poder é uma ferramenta de controle. Ao apagar a equipe técnica da visão do público, Braide cria um “ponto cego” na percepção do cidadão. O eleitor deixa de ver a prefeitura como uma instituição e passa a vê-la como um homem. É o retorno da taumaturgia política, onde o governante não precisa explicar orçamentos ou processos, bastando apenas estar presente, sorrindo sozinho diante da obra, como se sua simples presença fosse a força motriz universal que faz a cidade girar.
No entanto, o absolutismo da imagem esconde uma fragilidade institucional profunda. Quando um gestor se recusa a dividir o palco, ele revela um medo da alteridade e uma incapacidade de construir lideranças. A política do “Eu Sozinho” desestimula os bons quadros técnicos e transforma secretários em meros figurantes de luxo, cujo único papel é não ofuscar o brilho do Rei. São Luís foi administrada nos últimos anos sob essa égide: a de um prefeito que se bastava, que não dialogava com a Câmara e que ignorava a liturgia da construção coletiva.
Ao partir para a disputa estadual, Braide leva consigo essa marca. O “Rei Sol” de São Luís quer agora iluminar todo o Maranhão com o mesmo método. Cabe ao eleitor questionar se o estado suporta um modelo de gestão onde as instituições são engolidas pelo ego do governante. Em uma república, o Estado pertence a todos; no absolutismo da imagem de Braide, o Estado é apenas o espelho de quem o ocupa. A pergunta que fica é: até quando aceitaremos que a coisa pública seja tratada como patrimônio estético de um único homem?

