
Com informações e parte do texto de Ricardo Ribeiro (Revista Fórum)
Companheiros de trajetória e do Teatro Arena, palco que introduziu o brasileiro em cena e expôs os problemas sociais e políticos do País durante o regime militar, Lima Duarte gravou mensagem em vídeo para o ator Flávio Migliaccio, que cometeu suicídio e foi encontrado na última segunda-feira.
“Eu te entendo, Migliaccio”, afirmou Lima. “Agora, quando sentimos o hálito putrefato de 64, o bafio terrível de 68. Agora, 56 anos depois – eu tenho 90, você com 85 -, quando eles promovem a devastação dos velhos, não podemos mais”, disse o ator, em uma referência aos recentes e constantes atos de defesa da ditadura militar e de minimização dos riscos da pandemia de coronavírus praticados por bolsonaristas.
Esta decepção com a situação do Brasil foi apontada por Migliaccio, em carta-manifesto deixada por ele. Lima Duarte, no início do vídeo, destaca que ambos viveram os horrores da ditadura e sonhavam com um Brasil melhor. O ator chega a dizer que “não teve a coragem” de Migliaccio, mas pede que amigo espere por ele: “eu vou logo”.
No final, “para os que ficam”, o ator cita trecho de “Os Fuzis da Senhora Carrar”, de Bertold Brecht: “Os que lavam as mãos o fazem numa bacia de sangue”.
