Notas do subterrâneo: o último discurso de Mandetta antes de subir aos céus

Mandetta e sua equipe durante coletiva de adeus

Prontuário – O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, em meio ao clima de demissão, participou na tarde de quarta-feira da atualização diária dos números do Coronavírus.

Transfusão – Em uma hora de entrevista, Mandetta produziu um vasto material para ser utilizado de acordo com o interesse promocional das mídias em transformá-lo no “santo guerreiro”.

Receita– Ortopedista deu vários desdobros, relativizou o genocídio, foi sentimental, disse frases de efeitos, mandou mensagens para os religiosos, entre outros sintomas “científicos” do futuro mito do Brasil.

Estetoscópio – Logo no início, e sem qualquer motivo, soltou: “…em Medicina 2 + 2 pode ser 4. A gente faz o possível para ser 4. Mas ela não é do campo da ciência exata…”

Cardiopatia – Em seguida, emendou: “…Hipócrates definiu que ela (Medicina) é uma arte, ela é uma impressão, ela é sentimento…”

Gabinete Paralelo – Ao negar o pedido de demissão do secretário Vigilância em Saúde Wanderson Oliveira, mandou bala: “…entramos no Ministério juntos, estamos no Ministério juntos e sairemos do Ministério juntos…”

Autópsia – Para demonstrar o que distingue um bom técnico, senão todos seriam iguais, e essa qualidade ele tem, é um certo instinto natural, deu como exemplo o processo de escolha de sua equipe.

Talento – “Escolhi minha equipe por currículo, pelo que fez. A segunda coisa foi olhando no olho, para saber se é gente fina…fui testando e a gente é uma família…”, revelou.

Altruísmo  – Ainda nessa narrativa de sua perfeição, contou que se colocou à disposição dos generais Braga Neto e Augusto Heleno para ajudar no processo de escolha do novo ministro da Saúde.

Consulta – “…disse a eles: olha, fiquem tranquilos, procurem aí alguns nomes, que estão sendo assuntados…liguem pra mim˜.

Cirúrgico – Depois fechou com chave de ouro: “…se precisar de ajuda, a gente ajuda, não tem problema algum. O nosso foco é nas pessoas. O nosso adversário é o Coronavírus’.

Efeitos colaterais – Preocupado em manter a “divergência técnica”, sem a qual a sua “competência” não se sustenta, Mandetta acabou se igualando a Bolsonaro na própria lama.

Banalidade do mal – “…parece que eu sou contra o presidente ou o presidente é contra mim. Não, são visões diferentes do mesmo problema, e que se tivesse uma visão única, seria um problema muito fácil de solucionar”, disse.

Caleidoscópio –  E passou a tinta: “Não é um problema maniqueísta. Não é branco ou preto. Existe o cinza, existe várias graduações…”.

No eixo I – No mesmo horário, durante o julgamento da autonomia dos Estados e Municípios em combater a pandemia, o ministro Gilmar Mendes dizia:”…o presidente tem autoridade para demitir o ministro da saúde, mas não tem autoridade para implantar uma política pública de caráter genocida”

Abscesso  – Ao fazer uma autocrítica falaciosa, já que ele não disse porque deixou de fazer, Mandetta queria mesmo era listar uma série de exigências a serem cobradas do seu sucessor.

Monturo –  “…precisamos melhorar muito o abastecimento, Equipamentos de Proteção Individual para os meus médicos, meus enfermeiros…”

Pés de barro – Com a sua costumeira cara de anjo, professou: “Eu sou muito, eu rezo pro meus santos todos os dias…Nossa Senhora Aparecida…São Jorge…”

Missão Divina – No meio de tudo isso, no conjunto da obra, definiu o seu compromisso com a saúde pública: “…a defesa do SUS, da Vida, da Ciência”.

ASSISTA A COLETIVA COMPLETA DE MANDETTA. E DEPOIS ME DIGA: ELE É OU NÃO É UM SANTO HOMEM?

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