Mojica: Às vésperas de 2019, blog indica filme que “remonta ao passado para que o futuro não mais se corrompa”

Marcelo Müller:˜Tudo fica ainda mais dramático ao sabermos que as situações reproduzem fatos. Então, a noção de realidade norteia a experiência de assistir a esse filme duro, construído como uma leitura rigorosa das práticas daqueles grupos no poder. A fim de manter-se no topo da cadeia de comando, eles não hesitaram em vilipendiar a humanidade alheia, a sua mais básica integridade˜.

Uma boa e rara novidade disponível no Now, sistema de locação de filmes da NET, que serve como dica para este final de ano, ainda mais com o horizonte que se anuncia ao País a partir de 2019, é assistir Uma Noite em 12 anos, película dirigida por Álvaro Brecher, que aborda o sadismo e as barbaridades da ditadura civil-militar uruguaia durante os 12 anos de “prisão política” do jornalista e escritor, Maurício Rosencof, e dos recentes ex-presidente do Uruguai, José Mujica, e do ex-ministro da defesa, Eleuterio Fernández Huidobro.

Presos em 1973, os três amigos e membros do Movimento de Libertação Nacional Tupamaros, grupo marxista-leninista que enfrentou com unhas e dentes o regime ditatorial, passaram 11 anos incomunicáveis, sem banho de sol e condições humanas mínimas de higiene, com o objetivo de perderem completamente a razão, segundo pretendiam os militares.

Isolados e perdidos nos próprios pensamentos, é a jornada de sobrevivência e resistência dos três   ao longo período de extrema tortura física e psicológica, experimentos secretos e privações, que faz a grandeza do filme.

Não há cenas de explícitas de torturas físicas e discursos políticos de direita ou esquerda. Tampouco julgamentos de méritos ou condenação da guerrilha como meio de combate à ditadura.

Embora não se possa negar, como bem observou o jornalista, crítico de cinema e membro da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), Marcelo Müller, o cineasta Álvaro Brechner, partiu da premissa de remontar ao passado para que o futuro não mais se corrompa. (Leia a crítica Aqui).

Os três ficaram presos de 73 a 85, do início ao fim da ditadura, em porões onde se acreditava que somente os ratos seriam capazes de sobreviver.

A história e a lucidez dos três prova o contrário: a humanidade pode vencer.

 

 

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