Dois transplantes de coração em São Paulo salvam gêmeos do Maranhão

Mila Miranda Costa, Deivid Miranda Costa e Silva e os gêmeos Enzo e Bejamin com a pediatra Stela Azeka

Ricardo Kotscho

SÃO PAULO

“Corra para uma UTI agora. Seu filho está morrendo!” A sentença do médico, assim, na lata, nunca vai sair da cabeça de Mila Miranda Costa, 35, mãe dos gêmeos Benjamim e Enzo, de dois anos.

Neste ano, eles receberam dois corações novos no Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas, e estão se recuperando bem.

Naquele dia, 7 de novembro de 2017, Mila correu com Benjamim para um hospital em Imperatriz, a 632 km da capital do Maranhão. Mas não foi atendida porque seu plano de saúde ainda estava no prazo de carência.
De nada adiantou o pai, Deivid Allan Costa da Silva, 35, dizer que se tratava de um caso de vida ou morte. Só 15% do coração de Benjamim estava funcionando. Diagnóstico: miocardiopatia dilatada.

Já de madrugada, Deivid e Mila foram pedir ajuda a um juiz de plantão no Fórum. Na mesma hora, mandou-se internar a criança na UTI.

Era só o início da saga do casal. Gêmeos univitelinos, Benjamim e Enzo apresentavam os mesmos sintomas, dificuldades para respirar e cansaço excessivo.

Logo foi constatado que Enzo sofria do mesmo problema, o coração grande não conseguia bombear sangue para os pulmões. Trata-se de um caso inédito na cardiologia brasileira: gêmeos que possuem a mesma doença cardíaca, com sintomas que surgiram ao mesmo tempo, e receberam transplantes com apenas cinco meses de intervalo.

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