
A deputada Mical Damasceno (PTB) apresentou Projeto de Lei na Assembleia Legislativa para que as Igrejas e Templos sejam considerados serviços”” essenciais e assim possam reabrir suas portas.
Damasceno justifica o reconhecimento dos serviços essenciais prestados por essas casas de orações e cultos com a velha pregação do “relevante papel social das igrejas e a responsabilidade das instituições religiosas”.
Não discordo que a religião seja essencial, especialmente nesse período de incertezas e constante ameaça de morte provocadas pela pandemia do coronavírus.
O que não se confunde com os que defendem que a reabertura das Igrejas e Templos seja essencial ao exercício da atividade religiosa.
Acreditar que o cumprimento do relevante papel social e espiritual depende de igrejas ou templos abertos, é negar a atividade religiosa, enquanto ofício da palavra e da prática.
Se a finalidade do projeto é permitir que a Igreja e os Templos continuem com esse trabalho, os religiosos podem efetivamente exercê-lo nos hospitais, nos bairros populares, nas mesas vazias dos mais pobres.
Poderiam se inspirar no sentimento cristão dos padres italianos que se uniram aos profissionais de saúde na luta contra o coronavírus.
Trinta morreram exercendo sua profissão de fé.
Um deles, Don Giuseppe Berardelli, aos 72 anos resolveu se sacrificar e abriu mão do único respirador disponível para salvar um desconhecido muito mais jovem do que ele.
Mas se a sua compreensão do trabalho da Igreja é transmitir a mensagem divida por meio de missas e cultos nada impede se serem realizadas através de programas de rádio e tv ou de “lives” nas redes sociais.
Ou será que a ‘palavra de Deus’ é subordinada a um esforço conjunto?
Todos de corpo presente!
Como setores evangélicos agem e pensam por convicção e com crenças não há argumentos, reproduzo Mateus Capítulo 6, versículos 5 e 8. Tudo em caixa alta e letras maiores.
E QUANDO VOCÊS ORAREM, NÃO SEJAM COMO OS HIPÓCRITAS. ELES GOSTAM DE FICAR ORANDO EM PÉ NAS SINAGOGAS E NAS ESQUINAS, A FIM DE SEREM VISTOS PELOS OUTROS. EU LHES ASSEGURO QUE ELES JÁ RECEBERAM SUA PLENA RECOMPENSA.MAS QUANDO VOCÊ ORAR, VÁ PARA SEU QUARTO, FECHE A PORTA E ORE A SEU PAI, QUE ESTÁ NO SECRETO.
ENTÃO SEU PAI, QUE VÊ NO SECRETO, O RECOMPENSARÁ. E QUANDO ORAREM, NÃO FIQUEM SEMPRE REPETINDO A MESMA COISA, COMO FAZEM OS PAGÃOS. ELES PENSAM QUE POR MUITO FALAREM SERÃO OUVIDOS. NÃO SEJAM IGUAIS A ELES, PORQUE O SEU PAI SABE DO QUE VOCÊS PRECISAM, ANTES MESMO DE O PEDIREM.’
Agora, essa de transformar a Igrejas e Templos em atividade essencial através de lei, é um atentado contra o Estado laico.
Esse tipo de proposta só encontra amparo legal em um Estado teocrático; que submete suas ações às normas de uma religião específica.
Os riscos dessa “lei” contribuir a favor da pandemia são enormes.
E outras pessoas que não comungam da mesma fé também serão vítimas do desmantelo da deputada evangélica.
Só nessa cabeça que os colégios não são atividade essencial, mas Igrejas e Templos são.
Aliás, não é uma surpresa.
Logo no início da pandemia, essa senhora sugeriu oração e jejum.
Haja Deus!
___________________________________________________________
- A comparação entre colégios e igrejas foi feita em artigo de Lenio Streck (Aqui)
- Neste mesmo artigo ele também cita Matheus. Mas neste caso eu já conhecia por leituras passadas.
