“Sertanojo” universitário é lixo ideológico e cultural. Por Eduardo Guimarães

A trilha sonora do agrofascismo tupiniquim

Eduardo Guimarães (Brasil 247) *

Gusttavo Lima apoiou Bolsonaro em 2018 e vive repetindo o lema histórico do fascismo originário:  “Deus, pátria, família”. A baboseira fascista que o “mito” vive entoando. E esse é só mais um entre hordas de cantores solo e duplas que dominam  hoje a música brasileira com o “sertanejo universitário”. 

Mas se você pensa que esse sucesso todo vem do talento dos tais artistas, engana-se. Há uma gigantesca estrutura política e econômica por trás deles.

O gênero sertanejo universitário bomba devido a enormes investimentos do agronegócio e seu fetiche sobre o “homem de bem do campo que sustenta a cidade”, como revelou matéria recente da revista Piauí. 

Na verdade, porém, 75% dos alimentos que consumimos no Brasil são plantados, colhidos e distribuídos pela modesta infraestrutura da agricultura familiar, ou seja, dos pequenos produtores. O agronegócio só quer saber de exportar e forçar o preço interno dos alimentos a se equiparar aos de exportação. 

Assim como o golpe de 2016 fez com a Petrobras através da famigerada PPI (Paridade de Preços Internacionais), o agronegócio faz com os alimentos exorbitantes que boa parte da sociedade mal pode comprar. 

O que faz os “Gusttavos Lima” da vida bombarem tão forte no mercado fonográfico enquanto torturam ouvidos indefesos de quem tem um mínimo de bom gosto é a indústria fonográfica e o famigerado “jabá”, o dinheiro que os produtores pagam para que suas músicas sejam tocadas “ad nauseam” . 

A empresária de Anitta, segundo a Piauí, declarou, em entrevista, que o agronegócio paga o “jabá” para esse lixo cultural bombar porque já o comprou. O resultado é que nove das dez músicas mais tocadas no Spotify eram sertanejos universitários. E haja força para suportar aquelas músicas mal escritas, todas com o mesmo ritmo e falando sobre “dor de corno”.

Gusttavo Lima e Eduardo Bolsonaro (Foto: Reprodução Facebook)

A reportagem relata, ainda, que é do conhecimento até do gado (não do bolsonarista, mas dos bovinos reais) que há um lobby poderoso do agronegócio na política nacional que fez com que, em 2014, a JBS patrocinasse a campanha de 11 partidos políticos, levando a bancada ruralista a fazer 24 dos 27 senadores eleitos (!!).

Note-se que qualquer duplazinha sertaneja já começa a carreira com ônibus, jatinhos e milhares de seguidores em suas redes sociais. Talento? Não, claro que não. Investimento multimilionário do agronegócio, que usa esse investimento para estupidificar as pessoas com letras açucaradas e despolitizadas, enquanto os ruralistas devastam o meio-ambiente. 

É por essas e por outras que nove entre dez sertanejos são bolsonaristas…

Quanto ao autêntico sertanejo, que retratava a vida do campo, não tem espaço em um país em que a extrema-direita dominou a parcela mais consumida da cultura em um país cada vez mais boçalizado pelo mau-gosto, pela futilidade e pela pseudo valentia dos cowboys fascistas.

Mas o agro-sertanejo-universitário não fica só nisso. Precisa afastar as pessoas do que resta de verdadeira cultura. Teatro, cinema, gêneros que requerem mais talento que os de vozinhas miudinhas e letras semianalfabetas. Daí os ataques à Lei Rouanet, fórmula genial de financiar a cultura (de verdade).

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