
Se o eleitor de Roseana Sarney é daqueles que considera todos os políticos iguais e mentirosos, independente dos fatos e das prioridades que regem e distinguem suas atividades, só resta avaliar a candidata não pelo que ela tem dito, mas pelo que ela deixou de dizer durante a passagem da sua caravana no interior do estado.
Com a experiência de quem administrou a máquina pública por 14 anos, o que se esperava de Roseana era uma mínima capacidade de análise técnica, com a qual pudesse apontar os equívocos do governo Flávio Dino, que segundo o seu entendimento “abalizado”, impedem o desenvolvimento do Maranhão.
Esperava-se ainda que levantasse os problemas e as potencialidades dos municípios atingidos por sua Caravana, para demonstrar seu interesse em contribuir na superação das dificuldades enfrentadas pela população local, caso seja eleita pela quinta vez governadora do Estado.
Do mesmo modo, deveria expor nem que seja rascunhos de projetos que pretende implantar, e fazer promessas que possam fisgar o eleitor pela esperança de dias melhores, como sempre fizera durante suas campanhas eleitorais.
É pelas promessas que se conhece um candidato!
Opção pela falácia
Mas, não. O que se viu e ouviu foi um festival de besteiras, agressões e mentiras, que revelam tratar-se de uma candidata sem propostas para o Maranhão, movida apenas pelo ódio e desejo de retomar o poder pelo poder; que pouco se importa em dizer a verdade ou não.
O que importa é quem vai acreditar nela, o efeito que suas declarações provocam, e o sentimento causado nas pessoas por seus discursos, de acordo com a cartilha de Donald Trump; político com quem tem em comum a falta de noção, o know-how para falar todo o tipo de barbaridades, e o uso de fake news como produto de campanha eleitoral.

A opção pela falácia também se justifica por sua incapacidade de conceber ideias, fundamentar críticas, e na crença da eficiência do seu sistema de comunicação na reelaboração do real, a fim de manipular o imaginário político, social e cultural dos maranhenses.
Nem mesmo a sua longa estadia no Palácio dos Leões deu substância para debater os problemas do estado. Segundo o deputado federal Rubens Pereira Júnior, ela tem que tentar discutir sobre a barriga de Flávio Dino; “porque se ela tiver que falar sobre Escola Digna, salário de professor, hospitais regionais, novos PMs, Pedrinhas, Mais IDH, Iemas etc ela emudece ou diz que tá revoltada!”
Nesses 14 anos de governo, a experiência adquirida não foi a de promover o bem comum, mas a de patrocinar a riqueza de poucos em detrimento dos interesses da maioria, como parte de uma perversa equação de crescimento econômico.
Nisto, ela é uma especialista!
E ao contrário do que se possa imaginar, a ausência em seus discursos das promessas redentoras, com o aval dos projetos econômicos do governo federal de plantão, não é sinônimo de respeito ao eleitorado, tampouco sinal de princípios éticos. Mas tão somente uma estratégia para enganar o eleitor e evitar os danos provocados pelo conchavo da sua família com o governo Michel Temer.
Diante da impopularidade do peemedebista, Roseana finge ignorar sua participação no golpe de 2016 contra a presidente legitimamente eleita Dilma Rousseff, defende Lula e esconde o apoio do Palácio do Planalto à sua candidatura.
O resultado é que pela primeira vez, desde a década de 60, quando o morubixaba se elegeu governador do Estado, que o clã deixa de recorrer às promessas salvacionistas para influenciar, iludir e conquistar o voto da população maranhense.
Estelionato eleitoral
Em 1965, o então candidato José Sarney, com o apoio da ditadura militar, utilizou a Petrobras para anunciar a nova era econômica e política do Maranhão com a descoberta de petróleo na Bacia de Barreirinhas, “a maior bacia petrolífera da América do Sul”; transformando sua eleição em símbolo dos novos tempos, rompendo com as amarras do velho Maranhão do atraso.
Trinta anos depois, em 1995, foi a vez da filha herdeira., se aproveitar do governo federal para o patrimônio público da família.
Eleita com o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso, que lhe enviou uma carta , publicada no jornal o Estado do Maranhão, onde pede ao povo maranhense que o ajude a ajudar o Estado, votando nela para governadora, Roseana conseguiu rapidamente o financiamento do Banco do Nordeste para a instalação de um polo de confecção em Rosário.

Com a previsão de criar 4.300 empregos e produzir 15 milhões de camisas por ano destinadas à exportação, o projeto atendia a urgência de legitimar o governo Roseana, eleito sob fortes suspeitas de fraude provocadas pela diferença de menos de 20 mil votos, alcançados nas últimas horas da apuração, contra Epitácio Cafeteira.
Inaugurado no ano seguinte, com a presença do próprio FHC, o polo só produziu desvio de dinheiro público e a tão sonhada redenção econômica se transformou em pesadelo, especialmente para os presidentes das 90 associações comunitárias, que herdaram as dívidas dos empréstimos contraídos junto ao BNB e que acabaram no bolso do taiwanês Chhai Kwo Chheng, idealizador da “obra”, que caiu nas graças do casal Sarney/Murad.
Mas, por debaixo dos panos, já tinha cumprindo seus objetivos depois de um ano de propaganda massiva da revolução econômica que chegava à Rosário, já não se questionava a legitimidade de um governo eleito sob fortes indícios de fraudes!

Com a mesma cara lavada, em 2010 quando disputava a reeleição após o golpe judicial de 2009, foi a vez de proclamar o Maranhão do Petróleo com a instalação de uma refinaria da Petrobras em Bacabeira, repetindo 45 anos depois as promessas de um futuro promissor feitas pelo chefe do clã, também a partir do óleo combustível.
Foi mais uma promessa eleitoreira, desta vez com o requinte do lançamento da pedra fundamental pelo presidente Lula, o que agravou as consequências trágicas de mais um conto do vigário. O ato solene convenceu muita gente a investir tudo o que tinha, acreditando no impulso da instalação da refinaria para o desenvolvimento não só do município, mas de toda região do Munin.
No lucro, só ficaram Roseana, Lobão e João Alberto, que se elegeram em 2010!
É o nivelamento rasteiro de todos os políticos, feito pelo eleitor que não se abala com as mentiras de Roseana, pois considera que todos mentem e todos são iguais, que “permite escolhas rasteiras”.!
• Foram importantes as leituras dos artigos “A verdade da política da pós-verdade” de Cassiano Terra Rodrigues, publicado no site Correio da Cidadania (Leia Aqui); “Eleições 2006 e Mudança política no Maranhão”, de Arleth Santos Borges (Leia Aqui), e a dissertação de mestrado “Cultura Política, Voto e Eleição em São Luís do Maranhão – uma análise do pleito de 2010” (Leia Aqui).

Respostas de 2
Já era amiga, não insista !
OS ABESTADOS IMPERAM EM BRASÍLIA! O POVO ESTÁ EVOLUINDO POLITICAMENTE.