
O movimento em apoio ao ministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Moro, no Maranhão refletiu as cenas nacionais: um grupo reduzido e nitidamente formado pela classe média. Enredado nos diálogos revelados pelo site The Intercept, que considera ilegais, mas que defende a legalidade do conteúdo, Moro não saiu às ruas. Ficou tuitando em casa. Foi representado pelo ministro da Segurança Institucional, general Heleno Nunes, que deve explicações sobre a atitude.
As estatísticas são vagas para mensurar o alcance da mobilização feita para dar apoio à Moro e à Lava-Jato e a temas do governo como projeto Anti-crimes e reforma da Previdência, e no ensejo alvejou o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. O apoio ao governo Bolsonaro foi um apêndice quase não notado. Os organizadores falam em 70 cidades dos 26 estados e mais em Brasília (DF). Considerando que o país tem mais de 5,7 mil municípios, a mobilização e espalhou em pouco acima de 1% do mapa nacional.
Em São Luís, única cidade maranhense onde ocorreu a manifestação, os números são desconhecidos. Um grupelho se deslocou de suas moradias próximas à concentração na avenida Litorânea, e por lá resistiu até os 32 graus Celsius, com suas camisas amarelas sintéticas, alternando seu uso com a Copa América.
As digitais da superintendente estadual da Funasa, a ex-candidata ao governo Maura Jorge, contribuíram para esvaziar a mobilização puxada pelo MBL. Maura se engalfinha com o presidente do PSL, vereador Chico Carvalho, no estado pelo controle da legenda que nem mesmo Bolsonaro controla em âmbito nacional. Ganhou um cargo com a ajuda exibida em foto do senador Roberto Rocha, um ex-atual tucano, que já foi-socialista, e por último, tirou do armário as justas vestes da extrema direita.
A fenda no pensamento da extrema direita expressada pelo Movimento Brasil Livre, Vem pra Rua e Nas Ruas retirou o entusiasmo de parcela da juventude e do eleitorado de Bolsonaro. Isso foi percebido nesta manifestação Pró-Moro e de temas da agenda do governo, onde a faixa etária era de cidadão na meia-idade que querem que a aposentadoria ocorra muito mais tarde. Muitos deles são aposentados que desconhecem que o teto limite da previdência seja de pouco mais de R$ 5.800, cifra que mal paga seus títulos de água, luz e telefone.
Cidadãos de honestidade incontestáveis e outros nem tanto empunharam faixas em defesa do ex-juiz e do presidente. Bolsonaro que completa seis meses no governo nesta segunda-feira, 1º, se repetiu na rede social, tão vazio quanto seu projeto de governo. Já Moro, nas manifestação no twitter mostrou que ele ainda utiliza plenamente seus sentidos básicos. “Eu vejo, eu ouço…”, escreveu o ministro de Bolsonaro que se autoproclama correto, tão convicto quanto um boneco inflável.
