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  • DESAPREÇO CULTURAL

    A falta de planejamento e as desculpas furadas de Dutra e Vianey Bringel para cancelar o carnaval

    Fofão desolado com o fim do carnaval em Paço do Lumiar e Santa Inês

    Não sei se seria o caso de promover um baile de máscaras, mas culpar a crise econômica pela decisão de cancelar o carnaval para investir em saúde, educação e infraestrutura, como fizeram alguns prefeitos do Maranhão, é uma fantasia para tirar o seu da reta.

    A justificativa para suspender a maior festa popular do país não passa de uma desculpa furada com o objetivo de disfarçar a própria incompetência, ignorância e visão equivocada da realidade sob as lentes do cartel da indústria “cultural vazia”.

    Não há outros termos para definir o reducionismo com que os prefeitos trataram a questão.

    Domingos Dutra: prefeito de Paço do Lumiar

    O de Paço do Lumiar, Domingos Dutra, disse que com a economia de R$ 700 mil que seriam investidos na festa, ele poderá levar mais asfalto para o município.

    “Como enfrentamos uma crise, achei mais acertado usar o dinheiro que seria gasto no Carnaval em benefícios para a população”, alega.

    No mesmo descompasso, a de Santa Inês, Vianey Bringel, repetiu a ladainha:

    “Preocupada em realizar ações na educação, saúde e obras que atendam aos anseios da população, visando sempre a melhoria da qualidade de vida dos que habitam o município de Santa Inês, o Governo Municipal optou pela coerência e responsabilidade e assim deixa de alocar recursos para a festividade”, diz trecho da nota divulgada pela prefeitura.

    O que a dupla não explica é a falta de planejamento para enfrentar a grave recessão que atinge o país desde 2015; instituindo, por exemplo, uma política de incentivo à elaboração de projetos de financiamento do carnaval e outras atividades culturais através da Lei Rouanet.

    Mas, os dois, no entanto, não deixaram de revelar a ignorância que rege seus miolos, ao advogar o corte do carnaval em benefício dos interesses da população.

    É o certificado de quem não consegue compreender a importância da Cultura para o desenvolvimento socioeconômico de uma sociedade e sua dimensão fundamental da vida humana.

    Vianey Bringel: prefeita de Santa Inês

    Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) confirmam o que vaticinou em 2018 o ex-ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, durante um seminário no Rio de Janeiro:  cortar gastos da Cultura quando um país entra em uma crise econômica é uma “postura burra”.

    A CNC estima que somente no setor, o carnaval 2019 deve movimentar R$ 6,78 bilhões e gerar 23,6 mil empregos temporários entre janeiro e fevereiro.

    Cancelar um evento que promove emprego e renda é ampliar os danos da crise!

    Ambulantes fazem o pé de meia: cadeia produtiva do carnaval

    Em artigo publicado no último domingo, o governador Flávio Dino destacou a importância da economia da cultura, enquanto política pública, por sua capacidade de gerar empregos e oportunidades através de uma ampla cadeia produtiva, que envolve artesãos, músicos, restaurantes, bares, ambulantes, taxistas, hotéis etc.

    Noutras palavras: investir no carnaval é promover distribuição de renda!

    Para completar o enredo, a miopia dos gestores públicos que disputam “o melhor carnaval” a partir de uma programação milionária com a importação de bandas de qualidade duvidosa, impostas pela indústria “cultural vazia”.

    É por esse viés dominado pelo axé e o forró desfigurados, que tais gestores não concebem um carnaval de baixo custo, mas de alta voltagem por conta dos grupos locais e bandas de São Luís, com trajetória e tradição de promover a felicidade por onde passam.

    Além de permitir que a população tenha o “direito a uma alegria fugaz”, iniciaria um processo de reversão com a descoberta de que os grupos maranhenses deixam qualquer um no chinelo.

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  • Deu no D.O

    • A coluna Deu no D.O. está no ar com os generosos contratos dos nossos divinos gestores públicos. Dos caixões (R$ 214 mil) de Itapecuru-Mirim ao material de limpeza de Coroatá (R$ 2 milhões), ainda figuram Viana, Matões, Porto Rico e São José de Ribamar. 
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