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    Sob pressão, Deltan Dallagnol deixará comando da força-tarefa da Lava Jato de Curitiba

    O procurador Deltan Dallagnol

    Folha – O procurador Deltan Dallagnol anunciou nesta terça-feira (1º) a saída da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná. Ele continua atuando no Ministério Público Federal, mas em outros casos.

    Em vídeo, o procurador afirmou que o desligamento se deve por um problema de saúde de sua filha de um ano. Deltan, no entanto, enfrentava desgaste e se tornou alvo de ações internas no órgão, além de embate com o procurador-geral da República, Augusto Aras.

    Segundo Deltan, sua filha apresentou atrasos no desenvolvimento e, por recomendação médica, mesmo antes do diagnóstico final, deve iniciar um tratamento com terapias e medicamentos, o que exige acompanhamento dos pais.

    “Depois de anos de dedicação intensa à Lava Jato, eu acredito que agora é hora de me dedicar de modo especial à minha família […]. Essa é uma decisão difícil, mas estou muito seguro de que é a decisão certa e a que eu quero tomar como pai”, declarou.

    O procurador Alessandro José Fernandes de Oliveira vai assumir as funções de Deltan à frente da Lava Jato. Oliveira já atua na operação, no grupo mantido na Procuradoria-Geral da República (PGR) em Brasília.

    Sem citar nomes, Deltan pediu na gravação que a sociedade continue apoiando a Lava Jato diante da fase decisiva envolvendo os trabalhos do grupo.

    “A operação vai continuar fazendo seu trabalho, vai continuar firme, mas decisões que estão sendo tomadas e que serão tomadas em Brasília, afetarão os seus trabalhos”, disse.

    Criada em 2014, a força-tarefa da Lava Jato no Paraná já teve a estrutura prorrogada por sete vezes e aguarda nova autorização do procurador-geral da República Augusto Aras para manutenção dos trabalhos. O prazo de encerramento das atividades do grupo expira no próximo dia 10 de setembro.

    Ao final do vídeo, Deltan afirmou ainda que vai continuar lutando contra a corrupção “como procurador e cidadão”. “Não vou desistir, não vou deixar de sonhar com um país menos corrupto, com um país mais justo e melhor”.

    Em nota, o MPF do Paraná elogiou o trabalho do procurador à frente da Lava Jato. “Por todo esse período, enquanto coordenador dos trabalhos, Deltan desempenhou com retidão, denodo, esmero e abnegação suas funções, reunindo raras qualidades técnicas e pessoais”, diz a nota do MPF.

    Pelo Twitter, o ex-juiz Sergio Moro parabenizou Dallagnol e disse esperar que o trabalho da força-tarefa possa prosseguir. “Parabenizo o Procurador Deltan Dallagnol pela dedicação à frente da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, trabalho que alcançou resultados sem paralelo no combate à corrupção no País. Apesar de sua saída por motivos pessoais, espero que o trabalho da FT possa prosseguir”, escreveu.

    O afastamento se dá em um momento de desgaste de Deltan, que se tornou alvo de ações internas no órgão, além de embate com Aras. Ele também aguardava processos que poderiam afastá-lo da Lava Jato.

    No mês passado, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu o julgamento de Deltan no CNMP (Conselho Nacional de Justiça). Semanas depois, porém, a AGU (Advocacia Geral da União) entrou com recurso no STF (Supremo Tribunal Federal) para que a corte reveja a decisão.

    Celso de Mello havia concordado com a alegação do procurador de que seu direito de defesa foi cerceado, bem como seu direito à liberdade de expressão e crítica. Deltan afirmava que houve “diversos episódios de violação à ampla defesa” por parte do CNMP.

    O acórdão de instauração de procedimento administrativo contra ele teria sido publicado de forma incompleta, houve atropelo ao se marcar o julgamento antes de “finda a instrução, colhido o interrogatório e apresentadas as alegações finais”, além de indeferidas providências por ele considerada críticas.

    Deltan seria julgado em processos movidos pelos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Katia Abreu, que o acusavam de parcialidade na condução da Operação Lava Jato, além de tentativas de interferência no processo político brasileiro.

    Outro processo no entanto, movido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi arquivado. O ex-presidente acusava Deltan e os procuradores Roberson Pozzobon e Júlio Noronha de abuso de poder e de expor o ex-presidente e a ex-primeira-dama Marisa Letícia a constrangimento público, no episódio do PowerPoint.

    Foi determinante na decisão do conselho o fato de que a pretensão punitiva para o caso, na avaliação dos conselheiros, se aproxima da prescrição, não cabendo, portanto, a abertura de um processo administrativo disciplinar contra os três integrantes da Lava Jato.

    Lula é vítima de um sequestro

    A lei brasileira vem sendo rasgada continuamente no caso Lula. E isso, infelizmente, causa cada vez menos indignação


    Lula não é um preso comum. Há muito boa parte da sociedade brasileira que sabe disso. Seu crime não foi ter ganhado um apartamento no Guarujá. Mas se alguém tinha dúvida, a partir de hoje ela não cabe mais. Qualquer preso seria liberado para ir ao velório do seu irmão. Lula, não.

    A lei brasileira vem sendo rasgada continuamente no caso Lula. E isso, infelizmente, causa cada vez menos indignação.

    Não haverá reação alguma a mais essa injustiça. Alguns tweets indignados e um ou outro texto como este. Mesmo na esquerda e no PT já está se naturalizando o sequestro de Lula. As armas estão abaixadas. E o pior de tudo isso é que com o passar do tempo isso tende a aumentar.

    A vida vai levando cada um a cuidar dos seus problemas e Lula ficará lá sequestrado como um prêmio de Moro e Bolsonaro.

    Lula não poder sequer ir no velório do seu irmão é a prova mais cabal de como sua defesa pública está perdendo o jogo.

    E essa derrota é a pior de todas. Ela não é de Lula. E parece que não estamos dando conta disso.

    Do blog do Rovai 

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    • A coluna Deu no D.O. está no ar com os generosos contratos dos nossos divinos gestores públicos. Dos caixões (R$ 214 mil) de Itapecuru-Mirim ao material de limpeza de Coroatá (R$ 2 milhões), ainda figuram Viana, Matões, Porto Rico e São José de Ribamar. 
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