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    Produção de soja bate recorde enquanto arroz e feijão tem a menor área de cultivo em 46 anos

    A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab divulgada nesta quinta-feira, não é uma surpresa. Mas não deixa de revelar o negacionismo incutido na opinião pública sobre as más consequências do avanço descontrolado do agronegócio no País.  

    E o que mais impressiona foi a contaminação da Agência Brasil, que produziu matéria própria de quem confunde jornalismo com propaganda enganosa.

    Números da Conab mostram o aumento na produção de grãos e a drástica queda na produção de cereais.

    De acordo com a Folha a produção total de grãos (soja, milho, algodão) será de 320 milhões de toneladas, mas a área de cultivo de feijão e arroz é a menor em 46 anos. 

    A cultura de arroz, por exemplo, que somava 6,6 milhões de hectares no início da década de 1980, vem recuando com o avanço da soja, e, após cair para 3,7 milhões de hectares no início dos anos 2000, está em apenas 1,4 milhões neste ano. A produção do cereal recua para 10 milhões de toneladas, o menor volume em 25 anos. 

    A área de feijão também perde espaço. Se nos anos de 1980, superava 6 milhões de hectares, hoje está em 2,7 milhões. 

    O arroz e o feijão são os dois produtos básicos da alimentação da maioria dos brasileiros, principalmente os nordestinos. 

    A safra menor e a demanda externa fazem, segundo a Conab, com que o país termine a colheita com um estoque para dois meses. Em 2022, o estoque era suficiente para 90 dias. 

    Não preciso ser um gênio ou um defensor do meio-ambiente para calcular que a diminuição da oferta acarretará o aumento do preço da cesta básica. 

    Por outro lado, enquanto a fome volta a bater na porta de muita gente, a produção de soja atingirá um volume de 155 milhões de toneladas, 23% a mais do que no ano passado. O milho promete render 130 milhões de toneladas, com alta de 15%. 

    O pior é que o governo não assume o problema de frente. Ao invés de alertar para a necessidade imediata de conter o avanço indiscriminado do agro e aumentar o investimento público na agricultura familiar, o presidente da Conab, Edegar Pretto, disse à coluna Vaivém das Commodities (Folha), assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, que a “Conab acompanha a produção de alimentos que estão em queda e está de olho em uma política pública que aumente a oferta desses produtos que vão à mesa do consumidor”.  

    O clima pode ser sentido na própria página da Agência Brasil. Entre o rabo preso e a cabeça perdida, a matéria festeja a soja, o milho e quase ao final fala do arroz e feijão; e isto sem informar a diminuição da área plantada. Um tipo de assessoria ultrapassada, que confunde jornalismo com o que há de pior na propaganda; a propaganda mentirosa.

    Em terra de cego, que tem um olho tem um rei na barriga!

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    • A coluna Deu no D.O. está no ar com os generosos contratos dos nossos divinos gestores públicos. Dos caixões (R$ 214 mil) de Itapecuru-Mirim ao material de limpeza de Coroatá (R$ 2 milhões), ainda figuram Viana, Matões, Porto Rico e São José de Ribamar. 
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