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    Rosário: a Covid, os veículos alugados e os 525 mil que foram pelo ralo da pia de torneira flutuante que não existe mais

    A torneira flutuante de Rosário

    Em Rosário torneira pode até flutuar, mas o que fez jorrar R$ 525 mil em locação de veículos para atender as necessidades dos programas Saúde da Família e Tratamento Fora Domicílio, entre 21 de janeiro e 9 de abril, não foi mágica.

    Foram os dois contratos de aluguel de carros assinados sem licitação pela prefeitura com as empresas D.C.N. dos Santos (R$ 244.500,00/PSF) e Verona Transportes Comércio e Serviço Ltda – ME (R$ 279.900,00/TFD) a título garantir a continuidade desses serviços até realização do devido certame licitatório.

    A frota também deveria ter o seu papel na contenção da cepa amazônica da Covid, que avançava pelo país deixando um rastro de morte e devastação. Afinal, tanto o PSF quanto o TFD trabalham com público exposto ao descontrole da pandemia.

    A torneira flutuante é uma invenção do ex-secretário de educação do município Joaquim Sousa Neto, inspirada em outras instaladas em cidades como Bruxelas, na Bélgica, e Otawa, no Canadá . Enquanto esteve em funcionamento foi ponto turístico e moldura de fotos com autoridades que visitavam a cidade. Com a mudança de turno na prefeitura, a engenhoca tomou chá de sumiço.

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    No entanto, os números da Covid colocam em dúvidas a eficácia desse combate motorizado. Levando-se em conta o prazo de 79 dias e os valores dos contratos, os resultados não correspondem ao mínimo do que se podia esperar de uma ação de tal envergadura. Por mais que as frotas tenham sido alugadas para atender programas, que a princípio não estão na linha de frente do combate ao coronavírus.

    Ou seria ignorância não conseguir compreender o gasto de meio milhão de reais com locação de carros até para tratamento fora domicílio?

    Ou seria loucura perceber ao comparar os números da pandemia que o vírus contaminou e matou mais rosarienses em 30 dias, do que nos 106 que antecederam as assinaturas dos contratos de locação?

    Nas reproduções abaixo, os meses de novembro (05/11/2020, 508 casos confirmados e 14 óbitos),fevereiro (19/02/2021, 529 casos e 17 óbitos) e março (22/03/2021, 614 casos e 22 óbitos). Veja e compare.

    Será que houve algum engano? Como explicar gastar mais de meio milhão alugando carros e o vírus no período de vigência desses contratos emergenciais fez foi crescer e de maneira muito mais acelerada?!?!  

    Esses veículos não teriam sido contratados para participar da Micarroça?

    A Micarroça é o tradicional cortejo de carroças na quarta-feira de cinzas, que a mais de 40 anos fecha com chave de ouro o carnaval rosariense.

    Os contratos de locação foram assinados no final de janeiro. Os 525 mil foram pelo ralo da pia da torneira flutuante que não existe mais.

    Deu no D.O.

    Dentre aquisições milionárias de combustível, contratos vultuosos de consultorias e outras glórias, sobressai-se na coluna Deu no D.O., desta semana, a encomenda de R$ 298,5 mil em caixões feita por Palmeirândia, município com população estimada em 19,7 mil pessoas. As prefeituras de Maranhãozinho, Dom Pedro, Rosário, São José de Ribamar, Santa Inês, Loreto e Pedro do Rosário também não deixam a desejar. Confira.

    Pinguço I – A frota de Maranhãozinho só pode ser boa de bico. A prefeitura adquiriu R$ 1.681.701,87 em gasolina (comum e aditivada), óleo diesel (comum e S-10) e lubrificantes para encher os tanques das secretarias de Educação; Saúde; Administração e Assistência Social.

    Pinguço II – Foram oito contratos, dos quais quatro, somados em R$ 1.044.951,87, abasteceram a conta da I.G.A. Melo & Cia. A outra metade foi dividida entre a Elisete de S. Barros, que levou R$ 326.250,00 e a B. S. Comércio, Distribuição e Representação de Derivados de Petróleo, R$ 310.500,00; cada uma com dois contratos.

    Pinguço III – A frota de Dom Pedro também não fica pra trás, quando o negócio é beber. Por lá, a compra foi de R$ 1.645.500,00, dividida em quatro contratos com o mesmo posto Karolina (A.M. Vasconcelos – DEMAIS).  

    Flanelinha – Não é à toa que a prefeitura de Rosário optou por assinar cinco contratos com a Prime Consultoria e Assessoria Empresarial. Totalizados em R$ 2.687.430,00, a Prime faz o gerenciamento de frota das secretarias de Saúde (R$ 425.630,00); Educação (R$ 1.200.000,00); Administração (R$ 256.000,00); Assistência Social (R$ 39.000,00) e Infraestrutura (R$ 766.800,00).

    Rolamento – Enquanto isso, a prefeitura de Pedro do Rosário mete a graxa em R$ 1.326.000,00 para que seja feita a manutenção preventiva e corretiva, com fornecimentos de peças, de sua frota. Foram seis contratos. A Center Car Eireli faturou R$ 975.000,00 em três e a Almeida Auto Peças e Serviços LTDA ficou com o troco de R$ 351.000,00, referente a soma dos outros três.  

    Piçarra – Já em Loreto, o negócio é recuperar estrada vicinal. A Leonardo Oliveira Pinheiro Costa – ME tem dois milhões de pedregulhos para reparar os trechos de acesso ao povoado Pretinho e ao município de Sambaíba (R$ 1.290.388,76); e ao de Batateiras (R$ 733.369,35).

    Santo Forte – Na terra do santo padroeiro, não se sabe se a Meso Engenharia LTDA fez alguma promessa, mas a empresa está prestando serviços continuados de manutenção em prédios e logradouros públicos de São José de Ribamar. A graça de R$ 4.177.957,23 foi alcançada em contrato assinado pela prefeitura do município.

    Terra de cemitério I – Mas quem vai precisar de muita reza mesmo é o palmeirandense, se levarmos em conta que a prefeitura encomendou R$ 298.500,00 em caixões da F.R.B. de Sousa. Palmeirândia tem população estimada de 19.781 pessoas, segundo o IBGE.

    Terra de cemitério II – Com uma população quatro vezes maior, 89.489 pessoas, Santa Inês também contratou serviços funerários. A Pax Santa Inês Serviços Eirele vai encaminhar os santa-inesenses dessa para melhor por R$ 238.300,00 e com direito a roupa fúnebre!

    Deu no D.O.

    Com a compra de R$ 540 mil em Caixões e a contratação de R$ 16 mil em carimbos somente para Semcas, São Luís é um dos destaques da coluna Deu no D.O.. Rosário, Cajapió, Tutóia, São Vicente Férrer, Anapurus, Fernando Falcão, Olinda Nova do MA, Santa Inês e Fortaleza dos Nogueiras são as outras estrelas cadentes dessa edição. Ao vê-las, não significa que seus desejos serão atendidos. Reze para que nenhuma caia sobre a sua cabeça!

    Raio XYZ – Em mais de um ano de pandemia, o município de Rosário registrou, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, 481 casos de Covid até 4 de junho último. Os rosarienses contaminados entre 02 de março e 3 de maio fizeram tomografia computadorizada do tórax na Nova Clínica Serviços Médicos e Laboratório LTDA-EPP. A empresa foi contratada com dispensa de licitação para realizar esse tipo de exame durante dois meses por R$ 219.750,00.  

    Perigoso – Se a tomografia custa os olhos da cara em Rosário; em Cajapió o perigo é ser atropelado pela frota de veículos alugados da Agnus Serviços LTDA para atender as necessidades das secretarias municipais de Administração, Saúde e Educação por R$ 992.850,00.

    Truncados – Já em Tutóia, o traçado é outro. A prefeitura pegou carona na Ata de Registro de Preço de Pedro do Rosário e contratou 2 milhões de reais em veículos pesados, com direito a motorista, da A.W.Transportes & Locação.

    No guincho – Nesse trânsito conturbado, em São Vicente Férrer nenhum carro oficial vai ficar no prego. A prefeitura mandou passar graxa nos motores e celebrou 900 mil reais com a T.G.V. Diniz & Cia. Por esse tutu a empresa faz a manutenção preventiva e corretiva, com fornecimento de peças, de toda a frota até 15 de março de 22. Assim reza o manual. 

    Petrolão I – Do jeito que a coisa anda, os tanques em Anapurus não vão ficar na reserva. A prefeitura adquiriu R$1,1 milhão em combustíveis da Willys Castro Silva Júnior para abastecer os possantes das secretarias de Administração (R$ 266.467,95); Saúde (R$ 392.423,25; Educação (R$ 433.377,85) e Assistência Social (R4 42.000,00).

    Petrolão II – Mas, pelo visto, em Olinda Nova do Maranhão os ponteiros não vão ficar sequer abaixo de meio tanque. A prefeitura aviou logo foi R$ 2,3 milhões em combustível. Foram 15 contratos. 6 com a C.B. Gomes, somados em R$ 1,2 milhão e 9 com a Furtado & Cia., quilometrados em 1,1 milhas. Quem menos anda, corre.

    Na reta – Enquanto isso, para garantir que em Fernando Falcão, o ronco se limite aos motores e o óleo à pista, a prefeitura fez a aquisição de R$ 595.275,00 em gêneros alimentícios que formam a base da merenda escolar e mais R$ 718.986,12 em material de limpeza, conservação e higiene. Todo o pacote saiu por R$ 1,3 milhão e foi parar nas contas da Carvalho Gomes Distribuidora LTDA.

    Via de regra – Sem perda de tempo, a prefeitura de Santa Inês se adiantou e contratou, por dispensa de licitação, a Costa Sociedade Individual de Advocacia para fazer a consultoria jurídica especializada. Os 12 meses de defesa saiu por R$ 540 mil.

    Vai com Deus I – Como sempre tem quem vai dessa para melhor, a prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras resolveu foi deixar no ponto R$ 277 mil em caixões, com direito a serviços póstumos, encomendados da Cavalcante e Matos LTDA.

    Vai com Deus II – Com a Covid correndo solta, a prefeitura de São Luís não teve dúvida. Ligou a sirene de emergência e reservou R$ 536.876,00 em serviços funerários, incluindo translado, caixões e taxas de sepultamento, da W.B. Lima Comércio e Serviços Eireli.

    Mistério – E para encerrar, a pulga ficou atrás da orelha. Qual o sentido da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social da prefeitura de São Luís em contratar por R$ 16 mil a Cutrim e Correa-ME, empresa especializada em fornecimento e impressão de carimbo?

    Deu no D.O.

    Enquanto a indiana bate à nossa porta, as prefeituras de boa cepa deixam suas digitais em contratos nebulosos. Coloque a máscara e leia mais uma edição da coluna Deu no D.O. com as Taxas de Transmissão dos nossos imunes e impunes gestores públicos. Na ficha corrida estão Paulino Neves, Fernando Falcão, Estreito, São Luís, Itapecuru-Mirim, Santa Inês, Humberto de Campos e Rosário. Tapar o nariz não vai resolver…

    Maus lençóis – Com quantos grãos de areia se faz uma duna? Nos Lençóis Maranhenses, a prefeitura de Paulino Neves decidiu contratar a R. N. R. Pereira – ME para a execução dos serviços técnicos especializados na área de contabilidade pública por R$ 360.800,00 durante onze meses.

    Mover céus e terra I – Se é muita areia para um caminhãozinho, isso não preocupa a prefeitura de Fernando Falcão. Ela assinou três contratos para a aquisição de R$ 1,8 milhão em gasolina, óleo diesel S10 e lubrificantes da R.F. Cavalcante Cia. LTDA-ME. Tudo de forma parcelada e de acordo com as necessidades da prefeitura (R$ 755.535,00) e das secretarias de Educação/Fundeb (R$ 678.110,00) e Saúde (R$ 429.040,00).

    Mover céus e terra II – Já a prefeitura de Itapecuru-Mirim resolveu se prevenir para evitar que dê areia no seu logradouro. E acrescentou a compra de filtros nos três contratos de fornecimento de combustível e lubrificantes com o Auto Posto Dragão LTDA, no valor total de 2 milhões de reais. Um de R$ 1,4 milhão é para atender a secretaria de Educação. Os outros dois de R$ 286.663,50 e R$ 281.195,73 serão rateados entre as demais secretarias.  

    Mover céus e terra III – Em Santa Inês não foi preciso nem o lubrificante, imagina filtros. A prefeitura meteu o garrancho, através de pregão eletrônico, em cinco contratos para o abastecimento de R$ 1,7 milhão em gasolina e óleo diesel nas bombas do Auto Posto Linhares Eireli.

    Conexão – Enquanto isso, Humberto de Campos quer armar a sua rede. A prefeitura botou a digital no pregão presencial de quatro contratos com a K.G.M Comércio Eirelli para o fornecimento de R$ 756.527,44 em equipamentos e suprimentos de informática. Terão acesso as secretarias de Administração (R$ 124.796,50); Educação (R$ 361.330,91); Saúde (R$ 119.387,96) e Assistência Social (R$ 151.012,07).

    Vai com Deus – Na fronteira do estado, pode-se até não saber com quantos grãos de areia se forma uma duna. Mas, uma cova, é com sete palmos de terra. A prefeitura de Estreito acertou a compra de 412 mil reais em caixões com a Z.M. Rocha-ME.

    Garrafada – De corpo presente, a prefeitura de Rosário teve milhões de motivos para pegar carona até outra fronteira do estado e subir no pé de Ata de Registro de Preços em Timon: contratar R$ 3.996.814,98 em medicamentos controlados, dentre outros injetáveis ou não, da R.O. Carvalho do Nascimento – ME.

    Positivo, operante – Não é à toa que na capital, São Luís, o hospital Djalma Marques, o Socorrão, tratou logo de garantir o serviço de segurança armada. Assonou o 4º termo aditivo no valor de R$ 628.800,00 com a Transporte Segurança Privada LTDA – ME.

     

    Rosário se une contra o IPHAN em defesa da torneira flutuante

    Torneira flutuante em Rosário

    Henrique Bóis

    Moradores, Prefeitura e Câmara municipal de Rosário se uniram em torno de uma causa: a manutenção da torneira flutuante. Abaixo-assinados, várias hashtags (#ficatorneiraflutuante é uma delas), petições públicas de repúdio e apoio dos vereadores, enfim… Historicamente o caso nos remete ao processo dos capuchinhos contra as formigas em São Luís no século XVIII.

    A obra é uma invenção do rosariense e secretário de Educação do Município, Joaquim Sousa Neto, inspirada em idênticos existentes em cidades como Bruxelas, na Bélgica, e Otawa, no Canadá.

    Um ofício da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan-MA,  enviado pelo superintendente Maurício Itapary para prefeitura de Rosário, alertando sobre a necessidade de informação sobre realização de obra na área onde o órgão requalifica prédios históricos da extinta RFFSA disparou reações ufanistas de tudo quanto é lado.

    Além de agradar rosarienses e moradores, a intrigante torneira flutuante se tornou o grande atrativo da cidade. Inicialmente construída com parcos recursos por iniciativa de Joaquim, utilizando um conjunto a caixas d´águas, o monumento prosperou para uma fonte com traços arquitetônicos definidos por um projeto executado pela prefeitura. Segundo Joaquim Neto o custo inicial não excedeu R$ 5 mil. A nova construção não tem valor publicado.

    A atração despertou orgulhos ufanistas da população e administração a ponto de autoridades de passagem pela cidade serem convidadas a posar para fotos no local.  Foi assim como secretário de Estado de Educação, Felipe Camarão, e com o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, que posou com o senador Roberto Rocha sábado passado.

    Gustavo Canuto, Roberto Rocha, Joaquim Neto, prefeita Irlahi (de verde) e secretários

    Joaquim Neto interpretou o ofício do superintende Maurício Itapary como pura dor de cotovelo. O Iphan realiza nas proximidades da torneira flutuantes a recuperação de três prédios do acervo valorado pelo Iphan. Além de Rosário, são valoradas pelo Iphan as estações de Caxias, Santa Rita (Recurso) e Codó. Depois das obras concluídas, os prédios serão repassados para que a prefeitura dos municípios passe a administrar os espaços da forma que entenderem.

    “O caso da Torneira flutuante me causa uma grande estranheza. Estava presente quando o IPHAN apresentou a primeira proposta de revitalização do complexo ferroviário. Eles mostraram um slide em que contemplava uma fonte. Devido o alto custo de manutenção, foi retirado do projeto. Hoje temos uma fonte que não afetou em nada os recursos deles que simplesmente querem tirá-lo. Onde está a coerência? Se fosse idéia deles, valia, mas como não é, não pode. Não entendo mais nada”, retruca Joaquim Neto, inventor informal que no passado foi notabilizado por inventar um filtro cerâmico poderoso contra a cólera.

    O superintendente do Iphan, Maurício Itapary, diz que não é nada disso. “Não tenho nada contra a obra. O que fizemos foi informar a prefeitura para que nos comunique sobre realização de obra na área em que estamos restaurando os prédios valorados. pelo instituto”, ressalta, embora reconheça que o comunicado à prefeitura teve caráter de notificação.

    Neste mesmo ofício, a superintendência considera a obra “irregular” e esclarece em nota técnica, que a torneira “chama demasiada atenção” no início da área do Complexo Ferroviário de Rosário daqueles que chegam a Rosário, vindos da cidade vizinha, no caso, Bacabeira, a mesma da refinaria que nunca nem chegou.

    MP acusa Andréa Murad e Sousa Neto por doações desviadas de hospital fantasma em Rosário

    Os deputados Sousa Neto e Andréa Murad podem perder o mandato caso a Justiça aceite denúncia do Ministério Público e os condene por improbidade administrativa

    Os deputados Andréa Trovão Murad (PMDB) e Francisco de Sousa Dias Neto (PROS) foram incluídos na ação Civil Pública por Ato Lesivo ao Patrimônio Público, Improbidade Administrativa e Lavagem de Ativos (dinheiro) promovida pelo Ministério Público contra o ex-secretário de saúde no governo Roseana Sarney, Ricardo Murad e outras oito pessoas, entre funcionários públicos e empresários (veja lista abaixo), acusados de desviar R$ 4,8 milhões pagos pela construção de um hospital fantasma de 50 leitos no município de Rosário.

    Segundo O MP, a construtora Ires Engenharia – vencedora da licitação onde foi a única licitante, no valor que ela mesmo propôs – se limitou a fazer os serviços de terraplanagem calculados em R$ 591 mil, considerados superfaturados e totalmente desnecessários.

    “E não visavam o interesse público, mas sim os interesses dos gestores”, diz a ação assinada pelos promotores Lindonjonson Gonçalves de Sousa (18º Promotor de Justiça de Substituição Plena Respondendo pela 28ª Promotoria de Justiça Especializada), João Leonardo Sousa Pires Leal (Promotor de Justiça Titular da 29ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Patrimônio Público e da Probidade administrativa) e Maria Cristina Lima Lobato Murilo (Promotora de Justiça da 1ª Promotoria de Justiça de Rosário/MA).

    Os promotores anexaram à acusação fotografias onde consta atrás das placas da obra, um terreno vazio, com um aterro com indícios de terraplanagem já erodidos, sem compactação.

    Terreno onde seria construído um hospital e serviu para apenas para desovar R$ 4,8 milhões da Saúde

    Doações eleitorais

    A inclusão de Andréa Murad e Sousa Neto na denúncia de improbidade deve-se ao grau de parentesco com Ricardo Murad, que subscreveu o contrato da obra, e a doação de R$ 40 mil reais da Iris Engenharia para a campanha eleitoral da dupla em 2014, na mesma semana em que recebeu R$ 3,1 milhões pagos pela Secretaria de Estado da Saúde.

    O Ministério Público entende que as doações e o laço familiar representam uma violação aos princípios constitucionais administrativos de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, o que os torna responsáveis pelos prejuízos ao erário.

    “Também se inserem os atos de responsabilização na presente ação os beneficiados com o recebimento de “doações eleitorais”, quando os contratantes dos atos administrativos que geraram o dispêndio são: ascendente em primeiro grau, servidores nomeados por este e subordinados do mesmo, ou seja, o Secretário de Estado Ricardo Murad “, argumentam os promotores.

    No documento protocolado na Justiça, o MP ressalta que os pagamentos foram efetuados a partir das medições fraudulentas da Proenge Engenharia, como parte de um processo claramente “montado para sangrar o Erário, tendo como consequência a lavagem de ativos, dos valores ilegalmente despendidos, como se fosse a execução de uma obra, que na verdade nunca existiu, beneficiando o gestor e seus familiares, destinatários de “doações” eleitorais”, típicas de lavagem de dinheiro.

    Ainda na ação, os promotores lamentam que o Hospital de Rosário infelizmente não é o único nessa situação, e nem o pior, “pois há várias outras unidades do projeto megalomaníaco e lesa-pátria do Governo Roseana que resultou na disseminação de obras inviáveis”.

    “O endividamento de quase quatro bilhões (empréstimo junto ao BNDES) feito pelo Governo do Maranhão escorreu pelo ralo dessas obras desnecessárias, muitas delas fantasmas, como o Hospital de Rosário. Endividamento que terá que ser pago pelo contribuinte maranhense”, diz o MP.

    O ex-secretário de saúde Ricardo Murad: mais uma acusação de desvio de dinheiro público

    Bloqueio de bens

    Em caráter liminar os promotores pedem que seja concedido o bloqueio dos bens dos onze acusados até o valor de R$ 4,8 milhões para garantir, no caso de condenação, o ressarcimento do prejuízo acusado, devidamente corrigido e acrescido de juros legais de 1% ao mês, desde a data do pagamento da obra fantasmagórica.

    Além de devolver o que foi desviado, a condenação por improbidade ainda inclui a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo de cinco anos.

    Mas não impede a proteção do Tribunal de Justiça do Maranhão, a quem devem recorrer caso sejam considerados culpados em primeira instância; na certeza de que por lá caia na mesma vala do recurso do ex-prefeito João Castelo, que manteve o seu mandato de deputado federal até a sua morte, depois de ser condenado em 2015 a perda dos seus direitos políticos.

    O mesmo TJ que impediu que a Murad e o Sousa Neto fossem acusados na ação penal, por questão de foro privilegiado e por determinação da desembargadora Nelma Sarney, que mandou suspender as investigações, também protocolada pelo MP sobre o caso.

    Aliás, a Vara da Fazenda Pública até hoje não se manifestou se aceita ou não a denúncia protocolada pelo parquet em 4 de outubro de 2016.

    Leia a denúncia do MP AquiINICIAL ACP (1)

    Conheça os onze acusados 

    PF realiza operação em Rosário para colocar na gaiola caçadores de animais silvestres

    Gaiolas vazias depois da operação da PF em Rosário

                   Gaiolas apreendidas pela PF em Rosário na manhã desta sexta-feira

    A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira, 25/11, na cidade de Rosário/MA, a Operação “ASAS” com o objetivo de combater a caça ilegal em Área de Soltura de Animais Silvestres – “ASAS” – localidade utilizada pelo IBAMA para quarentena, triagem e reabilitação de animais apreendidos com o objetivo de retorno à natureza.

    Cerca de 30 policiais federais, em trabalho conjunto com servidores do IBAMA, cumprem seis mandados de busca e apreensão na residência de caçadores da região com o objetivo de reunir provas da atividade cinegética, e, eventualmente, prender em flagrante quem estiver de posse de arma de fogo sem autorização legal (art. 12 da Lei nº 12.830/06), e possuir em cativeiro animal silvestre sem autorização do órgão competente (art. 29 da Lei nº 9605/98).

    Em 2009, a Operação Oxóssi, que atuou em nove Estados da Federação, desarticulou uma organização criminosa internacional de tráfico de animais silvestres. Na ocasião, duas pessoas foram presas no Maranhão, e responderam por crime ambiental, receptação, contrabando e formação de quadrilha. Os homens eram responsáveis pela venda de animais silvestres no exterior e para o comércio em feiras do Rio de Janeiro. No Maranhão, saíam principalmente aves silvestres.

    Segundo a Organização Não Governamental (ONG) WWF-Brasil, o Brasil possui um grande comércio interno de animais, que sustenta os traficantes que agem no país e servem como intermediários para os traficantes internacionais. Há pesquisas que apontam que o comércio ilegal de animais movimenta cerca de 10 bilhões de dólares por ano em todo o mundo.

    O tráfico de animais silvestres é por muitos considerado a terceira atividade criminosa com maior movimentação financeira, perdendo tão-somente para o tráfico de drogas e o comércio ilícito de armas e munições.

    A principal rota do tráfico de animais silvestres no Brasil começa nas regiões Norte e Nordeste, com a retirada de espécies da natureza, e segue até o grande mercado consumidor da fauna no país, a região Sudeste.

    De acordo com dados do Ibama, os estados brasileiros onde ocorre a maior parte das capturas de animais são: Maranhão, Bahia, Ceará, Piauí e Mato Grosso. Já os estados com o maior mercado consumidor são: Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O instituto também aponta que, no Brasil, as aves são as mais comuns em apreensões de tráfico.

  • Deu no D.O

    • A coluna Deu no D.O. está no ar com os generosos contratos dos nossos divinos gestores públicos. Dos caixões (R$ 214 mil) de Itapecuru-Mirim ao material de limpeza de Coroatá (R$ 2 milhões), ainda figuram Viana, Matões, Porto Rico e São José de Ribamar. 
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