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Othelino e Bira do Pindaré criticam decisão da Câmara Federal favorável a Michel Temer

A vitória do presidente Michel Temer na votação da Câmara dos Deputados, que barrou a investigação contra ele no Supremo Tribunal Federal, repercutiu na sessão desta quinta-feira (3), na Assembleia Legislativa do Maranhão. O placar foi de 263 deputados a favor do presidente e 227, contra. A articulação para barrar acusação da Procuradoria-Geral da República foi criticada no Plenário da Assembleia Legislativa pelos deputados Othelino Neto (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB).

O primeiro a tratar do assunto na tribuna foi o deputado Othelino Neto, vice-presidente da Assembleia Legislativa. Ele lamentou a decisão da maioria dos deputados federais, afirmando que a quarta-feira, 2 de agosto, foi um dia triste na história do Brasil.

“Nós tivemos a oportunidade de a Câmara dos Deputados afastar um presidente que, além de não ter legitimidade, hoje carece de condições mínimas morais de continuar comandando o país”, declarou Othelino. Ele acrescentou que a Câmara poderia ter autorizado o prosseguimento do processo contra o presidente Michel Temer para que ele fosse apenas processado, para que as informações pudessem ser apuradas e ao final ele ser condenado ou ser absolvido.

Othelino frisou que, infelizmente por maioria, embora apertada, dos deputados federais a Câmara negou a autorização para processar o presidente da República. “ E nós vimos a insatisfação em todos os lugares, porque a Câmara não compreendeu, primeiro, que o processo era forte e que de fato era preciso apurar a responsabilidade do Presidente da República. Mas, a mesma Câmara que cassou uma presidente da República, que não cometeu crime, que não foi denunciada por corrupção, cassou a ex-presidente Dilma por umas tais pedaladas fiscais, agora não permitiu o afastamento do presidente acusado de corrupção passiva, dentre entre outras coisas, obstrução da Justiça etc e etc”, lamentou Othelino em seu discurso.

INDIGNAÇÃO

O deputado Bira do Pindaré, ao ocupar a tribuna, registrou com veemência a sua indignação diante da decisão tomada pela maioria dos deputados da Câmara Federal.

“O não prosseguimento da denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer é realmente uma mácula na história deste País. Porque eu não sei o que pode ser motivo para investigação de um presidente. Não há o que explique. Porque com um flagrante como aquele do sujeito carregando mala de dinheiro depois de ter combinado tudo na calada da noite numa garagem do palácio do Governo, se aquilo não é motivo para uma investigação o que mais pode fundamentar?”, questionou Bira do Pindaré.

Para ele, a votação desta quarta-feira foi muito estranha, porque na votação favorável ao afastamento da presidente Dilma houve deputados enfileirados na Câmara Federal, “num dia de domingo, com transmissão ao vivo pela Rede Globo, vestidos com a bandeira nacional, proclamando os seus votos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Todos eles orgulhosos dizendo que faziam aquilo pela moralidade pública contra a corrupção, etc”, assinalou Bira do Pindaré.

Ele observou que estes mesmos deputados agora votaram a favor do presidente Michel Temer e a favor da corrupção. “Agora ficou comprovado que a motivação que levou à cassação, ao afastamento da presidente Dilma não foi a corrupção. A motivação não foi essa. As motivações foram outras, mas não foi a corrupção. Da mesma forma, aqueles que bateram panela silenciaram. As panelas se calaram. Panela que bateu em Chico não bateu em Francisco. E deveria”.

Bira do Pindaré frisou ainda que a turma do pato que tanto protestou contra o aumento de imposto teve reação diferente. O governo aumentou o imposto de combustível e a turma do pato “estava caladinha, sem dizer um “piu”, até porque pato não pia. Então vivemos um dia realmente estranho que precisa ser sublinhado, precisa ser destacado, até porque nós vamos passar o resto das nossas vidas refletindo sobre o que está acontecendo nesse momento no Brasil. Uma incoerência absoluta, um paradoxo, uma contradição insustentável e um governo sem moral, sem autoridade, sem representatividade, sem respaldo popular fazendo tudo que pode ser feito contra o interesse da população”, ressaltou Bira do Pindaré.

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