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Grampo: Renan e Machado dão a entender que Sarney comanda rede de proteção contra a Lava-Jato

Renan, Sarney e Jucá, os caciques do PMDB alvos da delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado

Renan, Sarney e Jucá, os caciques do PMDB alvos da delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado

Depois de divulgar as conversas telefônicas do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com o ex-ministro do Planejamento do governo provisório de Michel Temer, Romero Jucá, e do presidente do Senado, Renan Calheiros; a próxima será a do sem mandato, José Sarney.

Machado grampeou os três caciques do PMDB e encaminhou para a Justiça a fim de obter os benefícios da delação premiada, homologada nesta quarta pelo ministro do STF, Teori Zavaski, após a acusação de recebimento de propina feita por um executivo de empreiteira preso em Curitiba.

Já na conversa com Renan divulgada nesta quarta-feira o nome de Sarney é citado várias vezes, dando-nos a entender que o velho oligarca utiliza de sua influência para proteger e livrar da prisão os investigados pela Polícia Federal.

Sérgio Machado e Renan Calheiros: mais um grampo comprometedor

Sérgio Machado e Renan Calheiros: mais um grampo comprometedor

A primeira foi por Machado, apavorado com a possibilidade do Ministério Público Federal encaminhar denúncia para o juiz Sérgio Moro, que poderia resultar em sua prisão.

Depois de xingar o procurador da República, Rodrigo Janot, de “filho da puta da marca maior”, avisou a Renan que as grades quebrariam a sua resistência, e “aí fudeu tudo”.

– Então a gente precisa {inaudível} presidente Sarney ter de encontro… Porque se me jogar lá embaixo, eu estou fudido – diz (leia abaixo a íntegra da conversa divulgada pela Folha), fazendo questão de ressaltar que estão insinuando que ele deveria fazer delação premiada.

– E isso não dá, isso quebra tudo isso que está sendo feito – completou.

A resposta de Renan está inaudível, no que continua Machado:

– Renan, esse cara (provavelmente Janot) é mau, é mau, é mau. Agora, tem que administrar isso direito. Inclusive eu estou aqui desde ontem…Tem que ter uma idéia de como vai vai ser. Porque se esse vagabundo jogar lá embaixo, aí é uma merda. Queria ver se fazia uma conversa, vocês, que alternativa teria, porque aí eu me fodo – sugeriu.

Adivinhem o que o presidente do Senado respondeu de bate-pronto ?

– Sarney

O que teve a concordância de Sérgio Machado, acrescentando que seria o caso de uma conversa particular.

Mais adiante, após falarem sobre as acusações contra a filha de Eduardo Cunha e da periculosidade da delação de Delcídio do Amaral, Renan volta a citar Sarney, e da importância dessa conversa, inclusive com a participação de um advogado para traçar estratégia.

– {inaudível} quanto a isso aí só tem estratégia política, o que se pode fazer – avisou o desesperado Machado.

No telefonema, Renan defende mudar a lei da delação premiada, o que seria uma espécie de solução para estancar a Lava-Jato, e os dois comentam sobre as situações de Dilma, Aécio Neves e Lula; e da necessidade de conter o juiz Sérgio Moro antes que aconteça alguma morte.

Em um trecho, diz Machado:

– E esse negócio só salva se botar todo mundo. Porque deixar esse Moro do jeito que ele está, disposto como ele está, com 18% de popularidade de pesquisa, vai dar merda. Isso que você diz, se for ruptura, vai ter conflito social. Vai morrer gente.

Antes de desligar, Sérgio Machado avisa que passará na casa do “presidente” para marcar um horário na residência de Romero Jucá, onde chega menos gente, para que os três possam se encontrar.

Se no grampo entre Calheiros e Machado, as vezes que Sarney foi citado já levanta suspeitas de comandar uma rede de proteção, imagina o que pode surgir quando ele tratar do caso pessoalmente ao telefone?

É aguardar e esperar que a Folha cumpra o seu papel e divulgue a conversa de Sarney, assim como fizera com Jucá e Renan.

Leia Aqui a íntegra da conversa entre o presidente do Senado e o ex-presidente da Transpetro.

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