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Globo: se no golpe de 64 ressurgia a democracia, no de 2016 o dia é histórico

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Alexandre Garcia (centro) no Bom Dia Brasil foi quem começou a celebrar o novo dia

Alexandre Garcia (centro) no Bom Dia Brasil foi quem começou a celebrar o novo dia

Embora conheça apenas superficialmente e por rápidas leituras de resenhas, mas a primeira lembrança que me veio à mente nesta quinta-feira, 12 de maio, ao assistir a Globo nas TVs aberta e fechada, foi a confirmação de que o filósofo alemão, Karl Marx, estava certo ao concluir após acompanhar o golpe de Estado que levou Napoleão III ao poder, na França do século 19, que a história se repete; a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

A Globo – e neste caso a única empresa do conglomerado de comunicação que deu suporte ao golpe alimentando na sociedade o ódio contra o PT –  celebrou a derrubada de uma presidente legitimamente eleita, repetindo o que fez o jornal O Globo, na primeira edição após o golpe militar em 31 de março de 1964.

Se à época o jornal destacou editorial na primeira página com o título “Ressurge a Democracia!”, agora que a Globo é a maior e muito maior emissora de TV do País, ela reforçou durante toda a programação que o dia de hoje é histórico com entusiasmo e brilho nos olhos dos apresentadores e comentaristas dos telejornais, para assim fazer crer.

Tudo para criar na sociedade um sentimento de dias melhores como fizera no editorial de 64, ao ressaltar que “Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem…O Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições”.

O coronel Figueiredo e Roberto Marinho: ditaduras armada e midiática

O coronel Figueiredo e Roberto Marinho: ditaduras armada e midiática

A empresa dos Marinhos sabe das vantagens em apoiar golpes, ainda mais por acreditar que basta fazer um mea culpa como fez em agosto de 2013, pressionada pelos protestos de junho, ao admitir o seu erro em apoiar o regime militar, como se fora apenas uma questão de opinião sobre o que entendia ser o melhor para o País.

E não uma questão financeira com a necessidade de legalizar seus acordos com o grupo norte-americano Time-Life, que entre 1962 e 1965, ano da inauguração da TV Globo, investiu cerca de 6 milhões de dólares, contrariando a Constituição de então que proibia a participação de estrangeiros em uma empresa brasileira de comunicação.

Até 1967, Roberto Marinho sustentou que os contratos limitavam-se à assistência técnica e uma conta de participação sem qualquer ingerência na administração da emissora, quando a ditadura mudou a legislação e restringiu por completo qualquer participação externa, mas sem efeito retroativo para poder legalizar os acordos da Globo.

Com Temer no poder ela voltará a ter os milionários contratos de publicidade destinados especialmente para o horário nobre do Jornal Nacional, que estavam suspensos por Dilma Rousseff.

Realmente o 12 de maio de 2016 é um dia histórico, assim como é o 31 de março de 1964 !

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