Blog do Garrone

Editora Paulista lança livro sobre São Luís

São Luís em Palavras faz parte de uma coleção da Aquarela Brasileira, que conta a história afetiva de cidades do país por meio de personagens, a maioria deles vivos, que vivenciam criticamente o seu cotidiano.

São 33 textos de poetas, pintores, fotógrafos, prosadores, historiadores, professores, advogados, radialistas e editores que direta ou indiretamente influenciam a vida da cidade. Eles contam e narram experiências vividas e apresentam personagens da elite e do povo, gente que fez e faz parte da vida de cada um deles.

“É um trabalho marcado pela diversidade. Tem um olhar plural sobre São Luís. Mostra sua beleza, mas não esquece de expor as feridas da cidade, seus culpados e sobreviventes”, afirma o escritor Celso Borges, um dos organizadores do volume ao lado do poeta e editor Wagner Merije

A capa dialoga com a obra do artista plástico Zé Roberto Lameiras, já falecido, um dos personagens mais atuantes na vida de São Luís nos anos 80 e 90.

A maioria dos autores é de personagens vivos. As exceções são os escritores João Lisboa, Aluísio Azevedo e José Nascimento de Morais, expoentes do século XIX. Estao no livro, entre outros, os prosadores Wilson Marques, Bruno Azevedo e José Ewerton; os jornalistas Otávio Rodrigues, Zema Ribeiro e Ed Wilson; os poetas Fernando Abreu e Luis Inácio, além do fotógrafo Márcio Vasconcelos, o compositor Sérgio Habibe e os artistas plásticos Ana Borges e Diego Dourado.

A cidade
São Luís do Maranhão é atravessada pelos rios Anil e Bacanga e foi fundada pelos franceses, que ali ficaram entre 1612 e 1615, quando foram expulsos pelos portugueses. Seu nome é uma homenagem ao rei Luís XIII da França e sua fundação faz parte do projeto da criação de uma França Equinocial no norte do Brasil, que acabou não dando certo.

Mas antes dos europeus chegarem ali, o lugar já era povoado pelos índios, principalmente os Tupinambás, habitantes essenciais na formação daquele povo que juntamente com o branco e o negro africano escravizado, construíram a cidade, com suas belezas e contradições. Essa mistura foi responsável pelo nascimento de um sotaque único na língua e nos tambores. A cidade, com suas casas de batuque, seus terreiros e danças e costumes indígenas, somados às influências ibéricas, deram à cidade uma cor e dicção únicas no país e no mundo.

No século 18 e 19, período de grande crescimento econômico, os portugueses conceberam a construção de uma mini Lisboa com seus casarões, sobrados e ruas estreitas. De um lado, a elite mandava seus filhos estudarem na Europa e voltarem doutores. De outro, os negros africanos erguiam a cidade de arquitetura opulenta. De um lado, a atuação de grandes intelectuais de destaque nas letras nacionais, como João Lisboa, Odorico Mendes, Sousândrade e Gonçalves Dias; do outro uma grande massa analfabeta excluída e ignorada pelos donos do poder.

Com a abolição da escravatura e a falta de planejamento urbano e econômico, a chamada Atenas Brasileira caiu num certo ostracismo do qual ainda tenta se levantar. Tudo isso em meio a uma exuberância de cor e claridade, de vento e água de seus rios e mares; da herança de uma língua de múltiplos sotaques e seus tambores e ritmos. Uma cidade que pulsa viva e diferente de todas as outras.

“É essa, principalmente, a São Luís que está aqui neste livro: memórias, afetos, significados e vivências de pessoas que, sem esquecer as feridas e cicatrizes da cidade, revelam um pouco do impacto de sua singularidade sobre o coração de cada um deles”, finaliza Borges.

SÃO LUÍS EM PALAVRAS

Ana Borges Andréa Oliveira Aluísio Azevedo Bruno Azevedo
Bruna Castelo Branco Celso Borges Deborah Baesse
Diego Dourado Dyl Pires Eduardo Júlio Ed Wilson
Félix Alberto Lima Fernando Abreu João Lisboa Joaquim Haickel José Ewerton José Nascimento Morais José Reinaldo Martins Joãozinho Ribeiro Júlia Emília Lissandra Leite Luciana Martins Luís Augusto Cassas Luís Inácio
Márcio Vasconcelos Marilda Mascarenhas Otávio Rodrigues
Ricardo Leão Ricarte Almeida Sérgio Habibe
Talita Guimarães Wilson Marques Zema Ribeiro

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