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Deputado americano protesta contra impeachment no Congresso dos EUA

 

O deputado americano Alan Grayson"Minha mensagem é simples: a democracia importa. Em todo o mundo, estamos vendo membros da direita tentando negar às forças democráticas seu poder legítimo vindo das urnas", disse. "Isso tem que acabar. A democracia importa".

O deputado Alan Grayson: “Em todo o mundo, estamos vendo membros da direita tentando negar às forças democráticas seu poder legítimo vindo das urnas. Isso tem que acabar”..

MARCELO NINIO

DE WASHINGTON

(FOLHA) – O impeachment da presidente Dilma Rousseff chegou ao Congresso dos Estados Unidos. Alan Grayson, deputado pela Flórida, discursou nesta quarta (13) no plenário da Câmara em protesto contra o processo que afastou a presidente.

“Eu gostaria de expressar minha preocupação com os eventos que estão acontecendo agora no Brasil”, discursou Grayson. “No Brasil, a presidente Dilma Rousseff foi reeleita porque a maioria dos brasileiros queriam que ela avançasse em suas políticas progressistas”.

O deputado acusa o governo presidente interino, Michel Temer, de ser antidemocrático, por adotar políticas que foram reprovadas nas urnas.

“O governo interino está implementando exatamente as políticas que foram rejeitadas pela maioria dos eleitores brasileiros: cortando programas sociais, cortando educação, cortando habitação, cortando saúde. Era isso que os brasileiros queriam. É pelo que votaram e, apesar disso, o governo interino está minando a democracia ao negar essas coisas ao povo que votou por elas.”

Em entrevista à Folha, ainda no plenário da Câmara, Grayson disse que espera ir além do discurso, apoiando uma ação do Congresso que demonstre preocupação com o Brasil.

“Eu certamente farei o possível para aprovar iniciativas diretas sobre as perigosas consequências de tirar a democracia do povo”, afirmou Grayson, membro do subcomitê de Relações Externas da Câmara que cuida de Brasil. As opções, segundo ele, incluem uma resolução da Câmara, a aprovação de uma lei e o envio de instruções a representantes dos EUA em organismos internacionais.

Grayson se destaca na Câmara dos Deputados dos EUA, com suas gravatas chamativas e posições bem mais à esquerda que a média, incomodando a velha guarda de sua legenda, o Partido Democrata. No momento ele está em campanha para o Senado contra a vontade dos caciques do partido, incluindo o presidente Barack Obama, que apoiam seu rival. Mas o espírito combativo em favor de seu eleitorado também tem admiradores na Flórida, principalmente entre os jovens, e a disputa pela vaga no Senado deve ser acirrada.

O governo Obama tem mantido cautela em relação aos acontecimentos no Brasil, mas já deixou claro que não considera golpe e que o processo de impeachment segue as regras democráticas. Um novo embaixador americano foi indicado para o Brasil, Peter McKinley, que estava no Afeganistão. Sua nomeação deve ser votada nesta quinta (14) no Senado, e a expectativa é que seja aprovada por unanimidade.

Grayson não quis comentar a posição do governo Obama sobre o impeachment, mas disse o que espera do embaixador americano em Brasília.

“Acho que nosso embaixador deveria falar a favor do respeito à vontade do povo. É o que os embaixadores americanos tipicamente fazem em todo o mundo. Entendo que nosso embaixador terá um prato cheio, haverá muitos temas para lidar”, disse o deputado.

Grayson concluiu seu discurso na Câmara afirmando que o processo de impeachment da presidente Dilma faz parte de uma onda antidemocrática de direita que está crescendo em vários países.

“Minha mensagem é simples: a democracia importa. Em todo o mundo, estamos vendo membros da direita tentando negar às forças democráticas seu poder legítimo vindo das urnas”, disse. “Isso tem que acabar. A democracia importa”.

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