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Cinco capitais registram protestos contra o governo Temer

Ato organizado nas redes sociais pelo "Coletivo Pela Democracia" se concentra na Praça do Ciclista - Stella Borges

Ato organizado nas redes sociais pelo “Coletivo Pela Democracia” se concentra na Praça do Ciclista – Stella Borges

POR STELLA BORGES E LUIZA SOUTO (O GLOBO)

SÃO PAULO – Dez mil pessoas participaram de um ato contra o presidente Michel Temer neste domingo em São Paulo, segundo seus organizadores. A Polícia Militar não divulgou estimativa. Protestos contra Temer também foram registrados em Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis. Organizado nas redes sociais pelo “Coletivo Pela Democracia”, o ato na capital paulista começou na Avenida Paulista e incluiu uma passeata até a Praça Roosevelt, onde deveria terminar. Os manifestantes, porém, decidiram retornar à Paulista e se concentraram diante do prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), aos gritos de “A Fiesp apoiou a ditadura”.

A PM, que acompanhava o protesto à distância, teve de intervir e fazer um cordão de isolamento no acampamento montado pelos pró-impeachment ao lado da Fiesp há mais de 60 dias, que foi mantido no local mesmo depois da posse de Temer. Bibiana Oliveira, de 21 anos, que se apresentou como estudante de Direito, disse que os manifestantes contra Temer tentaram agredi-la.

– Eles passaram chutando nossas barracas, nossas placas. O mais grave foi tentar me agredir – disse Bibiana.

Rafael Monico, que gritava contra Temer , negou que a agressão tenha partido dos manifestantes.

– Um dos rapazes que fica aí no acampamento tentou agredir a gente. Não foi uma provocação passar aqui em frente. A Paulista é de todos que queiram se manifestar democraticamente – argumentou.

Ato anti-Temer ocorre em SP - Stella Borges

Ato anti-Temer ocorre em SP – Stella Borges

Os manifestantes pediram a saída de Temer, pois consideram seu governo um “retrocesso” para o país. Os manifestantes criticaram o fato de o novo governo ter cortado os Ministério da Cultura, da Mulher e da Igualdade Racial, e nomeado pessoas citadas na Lava-Jato para compor o governo.

– O golpe pode ter passado na Câmara, e no Senado mas nas ruas não passará. Mais de 54 milhões de brasileiros e brasileiras elegeram a presidente Dilma – discursou um dos manifestantes.

Por volta das 15h, um grupo de mulheres que protestava no vão livre do MASP se juntou ao grupo. Os manifestantes carregam cartazes com os dizeres “Fora Temer” e “mulheres na luta”.

Neste domingo, cerca de 400 pessoas, segundo a Polícia Militar, também protestaram em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, contra o presidente interino. Eles gritaram palavras de ordem, pediram a volta da presidente afastada Dilma Rousseff e fizeram discursos contra cortes de ministérios e a ausência de mulheres no primeiro escalão do governo.

Manifestantes protestam contra Temer - Stella Borges

Manifestantes protestam contra Temer – Stella Borges

Segundo o G1, um ato chamado “#foraTemer” ocorreu na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. De acordo com a organização, o protesto reuniu cinco mil pessoas. Uma equipe de reportagem da TV Globo Minas foi expulsa do protesto. Um manifestante chegou a agredir com um chute o repórter cinematográfico, informou o portal de notícias.

O presidente interino Michel Temer passou o fim de semana em São Paulo. Na noite de sábado, recebeu a visita do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaff, com quem conversou por cerca de duas horas. No domingo, saiu de casa por volta de 10h20m e despistou a imprensa. Só retornou às 14 horas. A assessoria de imprensa informou que apenas a equipe de seguranças soube onde Temer foi.

A expectativa era que Temer se encontrasse com o ministro da Fazenda Henrique Meirelles para tratar sobre a escolha do nome para o Banco Central. A GloboNews TV informou que os dois se falaram apenas por telefone.

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