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    CARTA AOS MARANHENSES – por Carlos Lula

    Carlos Lula é secretário de Saúde do Maranhão

    Os tempos fáceis são sempre os de outrora, acordei pensando nisso enquanto me arrumava para ir ao trabalho. A rotina de sempre, saio cedo e volto tarde. Só que dessa vez eu não volto ao final do dia. Me despedi de João, de Juliana, Ana Júlia e de Bidu. É o mais seguro para todos neste momento. Estamos mergulhados nisso e nossos cálculos pelos próximos meses deixarão de ser individuais, cada um de nós tem que pensar no impacto de suas ações para a coletividade.

    Nem a despedida mais dolorosa da minha vida, que foi o adeus ao meu pai, se compara a isto. Lembro que ele não queria ir ao hospital, tive de levá-lo mesmo assim. Nas semanas seguintes tive que deixar meu pai ir embora, não pude trazê-lo de volta para casa. Hoje vejo meu filho, que ainda é pequeno demais para entender a gravidade das coisas, se despedindo de mim e me vi no lugar de meu pai. Mas eu volto, João. Eu volto porque estou cercado de pessoas comprometidas, pessoas incríveis, assim como as que estão em casa em isolamento, respeitando as determinações do Governo do Estado. E essas pessoas comprometidas me dão forças para seguir adiante nesta batalha e me dão esperança de que poderei voltar para a minha família quando vencermos. Sorriremos juntos, nos abraçaremos e vai ficar tudo bem.

    Preciso que vocês se cuidem, cuidem uns dos outros, cuidem daqueles que vocês não estão vendo. Conversem, sorriam, não desanimem. Estamos aqui do lado de fora com o coração partido, mas de cabeça erguida. Sei que vocês fariam o mesmo por mim. A hora é de prudência. Não existe heroísmo, não existe solução mágica. Não consigo fazer absolutamente nada sozinho, preciso ter a certeza de que vocês estão seguros em casa. O único caminho é enfrentar a pandemia com responsabilidade, seriedade, o apoio da ciência e a força dos trabalhadores da saúde do Maranhão.

    Consigo enxergar no olho de cada servidor nosso uma força de vontade inesgotável, uma disposição para a batalha que corre no nosso sangue desde os tempos mais remotos. Desde a invenção do Maranhão lá atrás, desde a Batalha de Guaxenduba em que expulsamos quem não era bem-vindo. Faremos a mesma coisa agora. A prontidão em defender o que é nosso, de não entregar nossas vidas e o que construímos com tanto suor para um inimigo que não tem rosto, que não tem propósito, que não tem misericórdia. Eu confio nas pessoas que estão no front dessa guerra porque o povo maranhense é prova todos os dias do que Gonçalves Dias disse na Canção dos Tamoios: “Não chores, meu filho; Não chores que a vida é luta renhida: Viver é lutar”.

    Guardamos as nossas fronteiras, treinamos as nossas equipes, preparamos nosso time para o maior desafio dessa geração e seremos lembrados por essas decisões. Não subestimamos em momento algum o tamanho disto, e resistimos. O maranhense já me ensinou muito ao longo de todo esse tempo. A disposição da nossa gente é estrondosa. A linha de frente desta batalha se compõe de homens e mulheres com uma força descomunal.

    Precisamos nos apegar às convicções mais profundas que temos e acertar o curso da nossa vida em direção a um novo período, transitório, mas importantíssimo. Absolutamente tudo o que fizermos daqui em diante vai impactar a coletividade.

    Enfrentar o que for preciso para cuidar de cada um que confia na nossa capacidade de encarar essa pandemia com seriedade e respeito. É o que posso garantir a vocês nesse momento de sacrifício. Eu me despedi da minha família com a certeza de que essa é a melhor decisão para que eu possa cuidar dela e de todos os meus irmãos maranhenses que confiam no meu trabalho e de minha equipe. Fiquemos longe por enquanto, mas eu prometo que abraçarei cada um de vocês quando isso terminar.

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