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    Sociedade Brasileira de Queimaduras atesta excelência no atendimento da nova UTQ/HI

    Hospital da Ilha inaugura Unidade de Tratamento de Queimados

    O reconhecimento da Sociedade Brasileira de Queimaduras e da Associação Maranhense de Apoio a Sobreviventes de Queimaduras dimensionam o que representa a Unidade de Tratamentos de Queimados do Hospital da Ilha para saúde pública do Maranhão.

    A UTQ/HI, segundo Antonio Moreira (UBQ/MA) e Andrea Barbosa (Amasq) é a primeira do Nordeste que reúne uma equipe multiprofissional e equipamentos de última geração que permitem cuidar do paciente do início até o fim do tratamento. 

    Carlos Brandão: “A missão do nosso governo é oferecer um Sistema Único de Saúde (SUS) digno e com serviços cada vez mais modernos. A Unidade de Tratamento de Queimados é do povo do Maranhão, que agora é beneficiado com atendimento de ponta em seu próprio território, conferindo-lhes qualidade de vida com maior rapidez na recuperação”

    “Devidamente estruturada e com uma equipe multiprofissional preparada para receber, acolher e auxiliar as vítimas de queimaduras, a UTQ/HI é uma conquista do povo do Maranhão”,  diz Moreira. 

    “Agora temos a oportunidade de oferecer qualidade de vida a esses sobreviventes”, completa Andrea Barbosa. 

    Os principais diferenciais da UTQ do Maranhão frente a de outras na Região Nordeste são a disponibilidade de uma Câmara Hiperbárica exclusiva, que acelera a cicatrização e evita infecções e atrofias musculares; e de salas de Cinesioterapia, útil no processo de recuperação motora com oferta de exercícios terapêuticos; e de Balneoterapia, espaço de banho e trocas de curativos. 

    A estimativa é que a estrutura atenda de sete a oito pacientes por dia de tratamento, o equivalente a capacidade de 240 pacientes assistidos por mês. 

    A UTQ vai funcionar, neste primeiro momento, com 19 leitos; seis pediátricos e 13 adultos. Dentre eles, dois de estabilização.

    A unidade funcionará 24 horas por dia, como retaguarda para pacientes oriundos dos serviços de emergência, direcionados por meio da Central de Regulação de Leitos, conforme aponta o protocolo de acesso estabelecido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). 

    “A cada novo serviço entregue estamos escrevendo novas histórias no SUS do nosso estado. Estamos realizando uma verdadeira transformação da política pública de saúde, tudo graças aos investimentos realizados pelo Governo do Maranhão”, destaca o secretário de Estado da Saúde, Tiago Fernandes. 

    O Brasil deveria ter orgulho do MST

    Pode-se discordar dos métodos do Movimento dos Sem Terra, mas a verdade é que ele combate o pior mal do Brasil: a injustiça social. E é bem-sucedido nisso.

    Agricultor do MST mostra sua plantação de orgânicos em São Paulo. Foto: DW/N. Pontes

    Por Philipp Lichterbeck
    Da Agência alemã DW

    Fiquei alguns dias em Eldorado do Carajás, no sul do Pará, para uma reportagem para a imprensa suíça. Em 17 de abril de 1996 ocorreu, perto dessa pequena cidade, o maior massacre de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A polícia militar matou 19 pessoas que marchavam na BR-155.

    Elas tinham como destino a capital do estado, Belém, para pedir a desapropriação de uma fazenda improdutiva – conforme a Constituição, que prevê a divisão de terras que não cumpram sua função social. Os sem-terra defendiam a Constituição, o Estado a trucidou.

    Depois de disparar sem aviso contra os sem-terra, os policiais executaram os feridos. Mesmo um jovem que protegia mulheres e crianças foi morto à queima-roupa. Alguns cadáveres desapareceram, e duas pessoas morreram mais tarde em consequência de seus ferimentos. No total, 21 pessoas indefesas foram assassinadas pela polícia brasileira.

    O massacre aconteceu há 27 anos, e, desde então, todos os anos o MST bloqueia a BR-155 no dia e no local do massacre. Paralelamente, organizam um acampamento da juventude na beira da estrada.

    Até aqui, meu contato com o MST havia sido mínimo, apesar de eu, claro, já conhecer o movimento. Ele me era simpático, e não apenas porque o ex-presidente Jair Bolsonaro – o que mais se poderia esperar desse homem? – ter defendido os assassinos de então, que, para ele, agiram em legítima defesa contra vagabundos. Em 2021, Bolsonaro disse em Rondônia que o MST era uma “organização terrorista”, e que os fazendeiros deveriam se proteger dela com armas.

    Mais bem-informados do que a média

    Fiquei impressionado sobretudo com a organização, disciplina e dedicação dos jovens do MST. Cerca de 100 deles se reuniram, vindos de vários assentamentos do MST na região. Dormiam em redes, havia uma cozinha comunitária e workshops diários sobre literatura, teatro e educação política.

    Cantaram-se canções e, ao redor do acampamento, foram expostas grandes fotografias em preto-e-branco feitas por Sebastião Salgado, o renomado fotógrafo brasileiro que acompanhou a evolução do Movimento dos Sem Terra.

    O Brasil seria um país mais pacífico e rico se o campo tivesse uma estrutura democrática. E é por isso que a extrema direita tenta criminalizar o MST, agora criando uma CPI para investigar o movimento. É um espetáculo com um único fim: manter os privilégios de poucos.

    Todas as manhãs, ouvia-se um apelo na forma do hino do MST: “Vem, lutemos, punho erguido, nossa força nos leva a edificar nossa pátria livre e forte.”

    De qualquer um a que eu me dirigisse, recebia respostas eloquentes, gentis e bem-informadas. Minha impressão foi de que essa juventude formada pelo MST é mais bem-informada e sabe se expressar melhor do que a média dos brasileiros.

    Muitos desses jovens estudam Agroecologia em Marabá, na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Querem se tornar pequenos agricultores e têm orgulho da história e da luta dos pais. No sudeste do Pará era comum que migrantes vindos do Nordeste com o sonho da terra própria se tornassem força de trabalho barata para grandes proprietários de terras, com longas jornadas e más condições de trabalho. Quando cansaram de viver como subalternas e o MST surgiu, elas se uniram ao movimento, pois defendia os interesses delas: reforma agrária, a posse da terra, autonomia pessoal, democracia.

    A má distribuição da terra

    Pode-se discordar sobre os métodos do MST, sobre suas antiquadas palavras de ordem socialistas e a atuação de sua liderança. Mas é fato que o movimento, desde 1984, combate o pior mal do Brasil: a injustiça social.

    O Brasil é um dos países com a pior distribuição de terras do planeta. Apenas 1% dos brasileiros detêm mais da metade da área agricultável, enquanto os pequenos agricultores, que são três quartos de todos os produtores, detêm apenas 20%. E milhões de famílias não têm terra alguma.

    É uma herança da era colonial que, até hoje, pouco foi modificada, porque o poder dos fazendeiros segue intacto, e o lobby deles no Congresso e na imprensa é muito forte.

    A Constituição de 1988 permite a desapropriação e distribuição de terras improdutivas, mas a resistência é grande. Nos locais onde o MST conseguiu obter a posse de terras, pequenos agricultores produzem grandes quantidades de alimentos para a população brasileira, muitos deles orgânicos. Assim, essa “organização terrorista” se tornou o principal produtor de arroz orgânico da América Latina.

    Com meio milhão de famílias, o MST é hoje o maior movimento social latino-americano. E possivelmente também o mais bem-sucedido. Os brasileiros teriam todos os motivos para valorizar o que o MST alcançou. Mas, em vez disso, muitos o encaram com ignorância, rejeição e até ódio.

    O Brasil seria um país mais pacífico e rico se o campo tivesse uma estrutura democrática. E é por isso que a extrema direita tenta criminalizar o MST, agora criando uma CPI para investigar o movimento. É um espetáculo com um único fim: manter os privilégios de poucos.

    Um dos jovens no acampamento, um estudante de 19 anos do assentamento do MST Palmares 2, me disse: “O MST é a minha família, e tenho orgulho de ser parte dessa luta.” Os brasileiros também o deveriam ter.

    Um dos jovens no acampamento, um estudante de 19 anos do assentamento do MST Palmares 2, me disse: “O MST é a minha família, e tenho orgulho de ser parte dessa luta.” Os brasileiros também o deveriam ter.

    Philipp Lichterbeck é colunista e correspondente da DW

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    • A coluna Deu no D.O. está no ar com os generosos contratos dos nossos divinos gestores públicos. Dos caixões (R$ 214 mil) de Itapecuru-Mirim ao material de limpeza de Coroatá (R$ 2 milhões), ainda figuram Viana, Matões, Porto Rico e São José de Ribamar. 
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